O Catar oficializou sua candidatura para sediar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2036. O anúncio foi feito pelo Comitê Olímpico do Catar (COC), que confirmou estar em negociações com o Comitê Olímpico Internacional (COI) para entender como será o novo processo de escolha da cidade-sede.
Segundo o presidente do COC e do comitê de candidatura, xeque Joaan bin Hamad Al-Thani, o país já possui 95% da infraestrutura esportiva necessária e conta com um plano nacional para garantir 100% de prontidão das instalações.
A proposta faz parte de um projeto do Catar para o futuro, que posiciona o esporte como um dos pilares do desenvolvimento social, econômico e ambiental do país.
Concorrência
Caso seja escolhido, o Catar será o primeiro país do Oriente Médio a sediar as Olimpíadas. A candidatura também busca dar continuidade ao legado da Copa do Mundo da Fifa, realizada em Doha entre novembro e dezembro de 2022, em razão das altas temperaturas no verão catariano.
Nos últimos anos, o Catar sediou eventos esportivos relevantes, como o Mundial de Atletismo 2019, o Mundial de Esportes Aquáticos 2024 e o Mundial de Tênis de Mesa, em maio deste ano. O país também será sede da Copa do Mundo Masculina de Basquete, em 2027, e dos Jogos Asiáticos, em 2030.
A disputa pela sede de 2036 inclui outros candidatos como Índia, Arábia Saudita, Indonésia, Turquia, Chile, Egito e Coreia do Sul.
O COI já sinalizou o interesse em ter a competição em solo indiano, como forma de se aproximar do país mais populoso do planeta, com 1,438 bilhão de habitantes.
Outro forte concorrente é a Arábia Saudita, que também se beneficia dos petrodólares para sustentar seu projeto esportivo. Além de mais extenso territorialmente, o que facilitaria a organização de torneios como o futebol olímpico, os sauditas já serão sede da Copa do Mundo da Fifa 2034.
Eleição
A definição estava inicialmente prevista para ocorrer em 2026 e será uma das primeiras decisões sob a presidência de Kirsty Coventry, eleita presidente do COI no início do ano. Kirsty é a primeira mulher e africana a dirigir a entidade.
No entanto, a zimbabuana já sinalizou a intenção de reformular o processo de escolha da sede das Olimpíadas. Anteriormente, havia a escolha com sete anos de antecedência, como aconteceu com a candidatura do Rio de Janeiro 2016, vencedora da concorrência em 2009.
O ex-presidente Thomas Bach reformou esse processo em 2019, transferindo a maior parte da decisão para uma Comissão de Futuros Anfitriões e para o Comitê Executivo, retirando poder dos membros do COI, que deixaram de votar nesta eleição. Anteriormente, havia denúncias periódicas de pagamento de propina a dirigentes para a escolha das cidades-sedes.
As reformas implementadas por Bach extinguiram um calendário fixo para as candidaturas. Em vez disso, os membros do Comitê Executivo têm feito escolhas periódicas sempre que acharem que se trata do momento certo.
Foi assim para a escolha de Paris 2024 e Los Angeles 2028, nomeadas no mesmo momento, e Brisbane 2032. As duas últimas ganharam o direito de abrigar os Jogos 11 anos antes de sua efetivação. Por outro lado, os Alpes Franceses foram escolhidos como sede dos Jogos de Inverno 2030 com antecedência de apenas seis anos.
“O sentimento dos membros [do COI] era de que realmente deveríamos analisar e garantir que não estamos sobrecarregando ninguém e descobrir qual é o melhor momento para escolher”, destacou Kirsty em sua primeira entrevista coletiva como presidente do COI, em junho.
Outro entrave para o Catar pode vir do calendário. Apesar da boa infraestrutura, o país poderá enfrentar oposição de dirigentes mais tradicionais, já que os Jogos de Verão tradicionalmente ocorrem no meio do ano, período de calor extremo no Oriente Médio.