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Correios não renovam e deixam patrocínio da Confederação Brasileira de Ginástica

Empresa estatal, que vive grave crise financeira, era patrocinadora da modalidade desde os Jogos Olímpicos de Paris 2024

Rebeca Andrade foi um dos destaques do Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 - Alexandre Loureiro / COB

Rebeca Andrade foi um dos destaques do Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 - Alexandre Loureiro / COB

⚡ Máquina Fast
  • Correios encerram patrocínio à Confederação Brasileira de Ginástica após um ano de parceria iniciada em 2024.
  • Ginasta Rebeca Andrade conquistou quatro medalhas em Paris 2024, valorizaram visibilidade dos Correios no esporte.
  • Crise financeira dos Correios, com prejuízo crescente e cortes, influencia fim do patrocínio à ginástica.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

Os Correios deixaram de patrocinar a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), da qual eram parceiros desde junho de 2024. À ocasião, o anúncio do contrato com a modalidade representou o retorno da empresa estatal no patrocínio ao esporte, que havia sido abandonado durante o governo de Jair Bolsonaro.

À época, os Correios tinham sido incluídos na lista de empresas estatais que seriam privatizadas pelo então ministro da Economia, Paulo Guedes. Já sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a autarquia foi retirada dessa relação.

Durante o acordo com a CBG, os Correios se beneficiaram da visibilidade proporcionada pela ginasta Rebeca Andrade, que conquistou um ouro (solo), duas pratas (individual geral e salto) e um bronze (equipes), nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, disputados apenas um mês após o anúncio do acordo.

No pódio, após a conquista do ouro no solo, Rebeca foi reverenciada pelas norte-americanas Simone Biles e Jordan Chiles, que protagonizaram uma das imagens mais famosas da competição.

O acordo com os Correios tinha duração de um ano. Segundo a Máquina do Esporte apurou, após o fim do contrato, em meados de 2025, a estatal informou à CBG que não renovaria.

Regalia

Mesmo assim, a empresa de logística ainda gozou, até o final de 2025, de algumas regalias concedidas pela confederação, que oficialmente dizia que os Correios ainda seriam patrocinadores da entidade.

Em 25 de setembro, durante uma palestra na COB Expo, em São Paulo (SP), Ricardo Resende, diretor-geral da CBG, ainda identificava a estatal de logística como uma das parceiras da ginástica, mesmo que o contrato já não estivesse mais em vigor.

“[A CBG] acho que é uma das únicas confederações a ter duas estatais patrocinando”, destacou Resende durante sua fala no painel “Esporte como negócio: Como tornar entidades esportivas financeiramente sustentáveis”.

“Hoje, o maior banco do país, a Caixa Econômica [Federal], patrocina a ginástica. A maior mineradora do Brasil, a Vale, patrocina a ginástica. Uma outra estatal, os Correios, patrocinam a ginástica”, enumerou o dirigente.

Procurado nesta quarta-feira para comentar o assunto, Henrique Motta, presidente da CBG, elogiou o antigo parceiro. “

A Confederação Brasileira de Ginástica agradece aos Correios pelo importante apoio ao longo do período de parceria, que contribuiu de forma significativa para o desenvolvimento da modalidade e dos nossos atletas”, destacou o dirigente.

“O encerramento do ciclo ocorre dentro da normalidade institucional, mantendo-se uma relação de respeito e reconhecimento mútuo. A CBG segue aberta à construção de novas parcerias, com os Correios e outras instituições, sempre em favor do fortalecimento da ginástica brasileira”, completou.

Crise

O fim do vínculo entre a estatal e a ginástica é um dos sintomas da profunda crise econômica que os Correios vivem atualmente.

A estatal teve prejuízo de R$ 700 milhões em 2022. Dois anos depois, o déficit saltou para R$ 2,5 bilhões. No ano passado, o rombo ainda não foi divulgado oficialmente, mas calcula-se que as perdas possam ter chegado a até R$ 10 bilhões.

Um plano de demissão voluntária foi introduzido na empresa, que espera se desvincular de 15 mil dos 90 mil funcionários atuais.

No final do ano, a empresa divulgou que pretendia fechar 16% das agências em funcionamento, o que representaria cerca de 1 mil das 6 mil unidades próprias em todo o Brasil. Essa diminuição pode representar uma economia de até R$ 2,1 bilhões, de acordo com números divulgados pelos Correios.

“A gente vai fazer a ponderação entre resultado [financeiro das agências] e o cumprimento da universalização para não ferir a universalização ao fecharmos pontos de venda da empresa”, revelou Emmanoel Rondon, presidente dos Correios, à ocasião.  

Há seis anos, a estatal controlava metade do mercado de entregas no país. No final de 2025, essa participação havia caído para 20%.

Outro lado

Questionado sobre o fim do apoio à CBG, os Correios afirmaram que não assinaram nenhum contrato de patrocínio em 2026 devido à crise financeira pela qual passa a empresa. A estatal enviou a nota abaixo:

O patrocínio dos Correios à Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), no período de 2024 a 2025, abrangeu as diversas modalidades da ginástica, como a artística feminina e masculina, rítmica, aeróbica, de trampolim, acrobática, ginástica para todos e parkour. 

A parceria esteve diretamente associada a um dos ciclos mais vitoriosos da ginástica nacional. Nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, o Brasil conquistou quatro medalhas na ginástica artística, incluindo um feito inédito: a medalha por equipes femininas, além do ouro olímpico de Rebeca Andrade, que se tornou a maior medalhista olímpica da história do país. No circuito internacional, a seleção brasileira manteve desempenho consistente nas Copas do Mundo de Ginástica, com múltiplas medalhas e presença frequente em finais, consolidando o Brasil entre as principais potências da modalidade. O apoio dos Correios também foi fundamental para contribuir na qualificação da preparação esportiva, ao viabilizar período adequado de aclimatação pré-olímpica, com estrutura completa de treinamento e suporte técnico e emocional às atletas, fatores decisivos para o alto rendimento.

Além dos resultados esportivos, a parceria fortaleceu a atuação institucional da CBG, que hoje reúne mais de 5 mil atletas, 26 federações estaduais, 316 entidades afiliadas e mantém 27 centros de alto rendimento em todas as regiões do país, ampliando o acesso ao esporte e contribuindo para a formação de crianças e jovens em um ambiente de disciplina, inclusão e desenvolvimento humano, incluindo filhos de empregadas e empregados dos Correios como forma de valorização.

Ao associar sua marca à ginástica brasileira, os Correios reforçaram sua imagem como empresa pública comprometida com o desenvolvimento social do país, apoiadora do esporte como instrumento de transformação, educação e cidadania, e parceira de iniciativas que levam oportunidades a todas as regiões do Brasil, além de ter associado a marca da estatal aos atributos do esporte.

Os resultados alcançados demonstram que o patrocínio dos Correios à Confederação Brasileira de Ginástica foi assertivo, estratégico e alinhado ao fortalecimento da marca e da imagem, gerando impactos positivos e duradouros para o esporte, para os Correios e para a sociedade brasileira.

Cabe destacar que nenhum novo patrocínio foi celebrado em 2026, em razão do cenário financeiro da empresa.