A indústria do turismo esportivo trabalha com a perspectiva de dobrar a quantidade de brasileiros presentes na Copa do Mundo 2026 em comparação com a edição de 2022, realizada no Catar. Há quatro anos, cerca de 3.000 brasileiros estiveram na primeira Copa do Mundo no Oriente Médio. Agora, a previsão é que esse número atinja entre 5.000 e 6.000 torcedores do país.
A facilidade logística e a proximidade cultural com os Estados Unidos, principal sede do torneio que também terá jogos no México e no Canadá, impulsionam a demanda no mercado nacional.
“A procura é muito maior do que no Catar. Não tem nem comparação. No Catar a venda foi muito mais fraca”, aponta Aldo Leone Filho, CEO da Agaxtur, uma das agências credenciadas pela Fifa no Brasil para a comercialização de pacotes para a Copa do Mundo.
Uma das principais dificuldades do turista, que é a obtenção de visto para os Estados Unidos, não é visto como problema pelo executivo. Atualmente, o brasileiro paga uma taxa total de US$ 435 pelo visto, equivalente a cerca de R$ 2.400, dependendo do câmbio do dia.
“Estive hoje no consulado e tenho números quentes: em 2024 e 2025, 1,9 milhão de brasileiros viajaram para os Estados Unidos. O Brasil tem uma taxa de recusa de visto mínima. É muito pequena”, conta Leone, à Máquina do Esporte. Ele afirma que o consulado não apresentou números.

Operação
Para a operação no Brasil, foi formado um grupo de agências credenciadas, composto por Agaxtur, Ambiental, Queensberry e Globalis. Essas empresas estão autorizadas a vender os pacotes oficiais de hospitalidade da Fifa.
O produto principal não se limita ao ingresso para a partida, abrangendo uma jornada de serviços dentro das arenas.
Os pacotes incluem a entrada no estádio, as tendas ou camarotes, com comida e bebida, além do jogo propriamente dito. Dependendo da categoria do ingresso, o turista pode assistir à partida no centro ou na beira do campo. Depois do espetáculo, há mais 2 horas para festejar no estádio, antes do retorno ao hotel.
“O que a Fifa vende é uma experiência de praticamente 9 horas. Vai muito além do jogo”, explica Leone.
Entre os destinos procurados pelo turista brasileiro, duas cidades se destacam: Nova York e Miami, que terão jogos da seleção brasileira na primeira fase.
No dia 13 de junho, o Brasil estreia no Mundial da Fifa enfrentando o Marrocos, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, cidade ao lado de Nova York. Já em 24 de junho, encerra a participação na fase de grupos contra a Escócia, no Hard Rock Stadium, em Miami.
Sem jogos confirmados da seleção brasileira, as sedes de México (Cidade do México, Guadalajara e Monterrey) e Canadá (Toronto e Vancouver) estão sendo bem menos procuradas pelos brasileiros.
Corporativo
Apesar do forte apelo do futebol no Brasil, o perfil do comprador desses pacotes é majoritariamente empresarial. As agências direcionam suas estratégias para o modelo B2B (business-to-business), utilizando a competição como ferramenta de relacionamento e campanhas de incentivo.
A venda para o consumidor final (pessoa física) representa a menor fatia da operação. “Entre 80% e 90% é corporativo. São empresas que levam colaboradores, distribuidores e clientes. A pessoa física acaba sendo apenas 10% do volume total”, conta o CEO da Agaxtur.
Preços
A concentração das vendas no setor corporativo é justificada pelo tíquete médio exigido para participar do evento. Apenas os acessos comercializados pela entidade organizadora já apresentam valores altos, o que inviabiliza a compra em massa pelo público de varejo.
“Vai custar entre US$ 9.000 e US$ 10.000. Então, estamos falando de algo em torno de R$ 53 mil. Para quem quiser uma coisa mais luxuosa, o céu é o limite”, aponta Leone.
O executivo conta que a viagem para assistir à Copa do Mundo vai muito além da experiência de ver apenas um jogo, podendo incluir outras atrações, como passeios, compras e gastronomia. Um roteiro padrão para o evento conta com cinco noites de hospedagem.
