O Departamento de Justiça dos Estados Unidos aprovou a aquisição da Warner Bros. Discovery (WBD) pela Paramount, avaliada em US$ 111 bilhões. A decisão foi confirmada por fontes ligadas à administração do presidente Donald Trump e não envolveu concessões significativas por parte da empresa.
Em comunicado, a Paramount afirmou que o “acordo é pró-competitivo, resultando em uma empresa mais forte e melhor posicionada para competir com as plataformas tecnológicas dominantes em um setor cada vez mais definido por uma intensa competição por público, talentos, tecnologia e investimentos”.
O CEO da Paramount, David Ellison, prometeu concluir a transação até 30 de setembro. Caso o prazo não seja cumprido, a empresa se comprometeu a pagar uma taxa diária de acompanhamento aos acionistas.
“Continuamos focados em concluir a transação o mais rápido possível e em entregar seus benefícios aos consumidores, criadores e à indústria do entretenimento como um todo”, informou a empresa no comunicado.
Resistência
Apesar da aprovação federal, procuradores-gerais da Califórnia, Nova York e outros estados avaliam ações antitruste para tentar barrar a fusão.
O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, declarou que “a aquisição da Warner Brothers pela Paramount continua sendo uma investigação ativa e não temos nenhuma atualização para compartilhar neste momento”.
Elizabeth Warren, senadora do Partido Democrata por Massachusetts, criticou a decisão do governo Trump. “Esta é uma notícia terrível para todos os norte-americanos que não querem que bilionários alinhados a Trump controlem o que eles assistem e quanto pagam”, destacou a política.
“O acordo entre a Paramount e a Warner Bros. cheira a corrupção e tráfico de influência. Esta luta não acabou. Os procuradores-gerais estaduais devem bloquear esta fusão”, defendeu.
Internacional
No Brasil, o caso está sendo examinado desde abril pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão governamental ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que zela pela livre concorrência no mercado brasileiro.
No Reino Unido, a Autoridade de Concorrência e Mercados abriu uma investigação de fusão com prazo até 7 de agosto. Caso identifique risco de redução substancial da concorrência, poderá iniciar uma segunda fase que se estenderia por até cinco meses.
A União Europeia (UE) também conduz uma análise preliminar, com possibilidade de investigação aprofundada.
Operação
Fundos soberanos da Arábia Saudita, Catar e Abu Dhabi participam do financiamento da operação, levantando questionamentos sobre limites de participação estrangeira em emissoras de TV nos EUA.
A Paramount venceu a disputa com a Netflix e anunciou a compra da WBD em fevereiro. A aprovação nos EUA era considerada provável, mas a pressão política e regulatória em outros mercados pode atrasar a conclusão do negócio.
