A realização da Copa do Mundo 2026 nos Estados Unidos, Canadá e México tem provocado mudanças no mercado de shows da região. Com 16 estádios bloqueados para apresentações musicias desde 20 dias antes do início do torneio até 19 de julho, artistas e promotores precisaram ajustar seus roteiros para o período.
Entre os locais fechados estão arenas em Toronto, Cidade do México, Atlanta, Boston, Los Angeles, Nova York e San Francisco. O período coincide com a alta temporada de apresentações ao ar livre, o que levou artistas a buscar alternativas. Alguns iniciaram turnês na Europa, enquanto outros optaram por cidades que não recebem jogos da Copa.
“Inicialmente, quando a Copa do Mundo foi anunciada há alguns anos e começamos a pensar neste verão, havia certa apreensão”, comentou Jbeau Lewis, da UTA, responsável pela programação de shows de artistas como Bad Bunny e Karol G, em entrevista à Billboard.
“A realidade é que se tornou um dos maiores, se não o maior, verões de turnês em estádios de todos os tempos”, acrescenta o empresário.
Turnês
Bruno Mars iniciou sua turnê em abril, passando por cidades como Atlanta, Nashville e Toronto antes do bloqueio dos estádios. Entre junho e julho, o artista se apresenta na Europa, retornando à América do Norte em agosto.
Ed Sheeran também adaptou sua agenda, com shows em Nashville, Chicago, Denver e Las Vegas antes de seguir para o Levi’s Stadium, em San Francisco, após o término da Copa do Mundo.
O grupo de K-pop BTS, com a turnê Arirang, seguiu estratégia semelhante: apresentações na Ásia e América do Norte antes de maio, passagem pela Europa em junho e julho e retorno aos Estados Unidos em agosto.
Planejamento
Segundo Omar Al-joulani, presidente de turnês da Live Nation, maior empresa de shows do planeta, o trabalho de planejamento antecipado foi essencial para a confecção do calendário deste ano.
“Trabalhamos em estreita colaboração com nossos parceiros para mapear a disponibilidade dos locais e as rotas com bastante antecedência, o que nos permitiu planejar em torno de quaisquer conflitos potenciais”, destaca o executivo.
“Como resultado, a Copa do Mundo não diminuiu o ritmo dos negócios em nada. Na verdade, estamos a caminho de um ano recorde em estádios, apesar dela”, comemora.
Lewis acrescentou que, para Karol G, o calendário de apresentações funcionou bem. “Foi uma feliz coincidência que a data de início da turnê fosse logo após o término da Copa do Mundo, mas não foi necessariamente planejado dessa forma”, aponta o empresário.
Alternativas
Com os estádios fechados, outros espaços próximos às cidades-sede ganharam protagonismo. O Prudential Center, em Newark, receberá Shakira em 14 de julho. A cantora, que lançou em maio com Burna Boy a música oficial da Copa do Mundo, também irá se apresentar na final da competição no Nova York/ Nova Jersey Stadium, em 19 de julho.
“Faz sentido para Shakira organizar uma turnê em torno desse período em que ela estará na região e também fazer o show do intervalo. É incrível ver como houve um planejamento tão minucioso para trazê-la aqui, diante de um público internacional que estará na cidade” , destaca Sean Saadeh, diretor de programação do Prudential Center.
Já o Sports Illustrated Stadium, em Harrison, a apenas 15 km do Nova York/ Nova Jersey Stadium, voltou a receber shows após mais de uma década, com apresentações de DJ Snake e Justice.
