A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vem desenvolvendo iniciativas ambientais e sociais recentemente, principalmente a partir do projeto CBF Impacta, lançado em novembro de 2025. Em entrevista à Máquina do Esporte durante o Fórum Sustentabilidade em Campo, Ricardo Gluck Paul, vice-presidente da entidade, que participou do painel “Grandes Eventos Esportivos e Sustentabilidade: Inovação, Impacto e Legado”, detalhou os pilares do programa.
O projeto abrange a compensação de emissões de carbono em jogos de competições da CBF, assim como o manejo adequado de resíduos sólidos, a eficiência no uso de recursos hídricos e a gestão energética. A entidade iniciou testes de compensação nos amistosos da seleção brasileira realizados nos Estados Unidos e planeja expandir a neutralização de forma permanente para o calendário nacional.
A meta da CBF é aplicar as medidas de neutralização em cerca de 3,4 mil partidas por ano organizadas pela entidade. O escopo abrange os jogos de todas as competições masculinas, femininas e de base promovidas pela confederação.
“A CBF tem seu modelo próprio, o programa CBF Impacta, que busca tornar a entidade a primeira confederação neutra 360º do mundo. Além de neutralizar a pegada de carbono dos jogos da seleção, vamos abranger cerca de 3,4 mil partidas anuais das nossas competições nacionais. O projeto envolve compensação de emissões, gestão de resíduos sólidos, recursos hídricos e eficiência energética”, afirmou Ricardo Gluck Paul, em entrevista à Máquina do Esporte.
No pilar de gestão de resíduos, a CBF usa ferramentas de inteligência artificial (IA) para mensurar o volume de lixo gerado nos estádios em todas as regiões do país. O plano prevê o recolhimento e o processamento desse material para a fabricação de bolas de futebol, que serão distribuídas em projetos sociais instalados em comunidades vulneráveis.
De acordo com o vice-presidente da entidade, o uso dos equipamentos reciclados busca aliar a conscientização ambiental à prática esportiva, aproveitando a capacidade de alcance do futebol para engajar jovens periféricos em pautas como a coleta seletiva e o descarte correto de resíduos.
“O futebol consegue atravessar muitas bolhas de comunicação em uma sociedade segmentada. Na hora em que um jovem pegar e tocar em uma bola de futebol e compreender que o resíduo do campeonato se materializou naquilo, aquilo conversa com ele. É a chave de diálogo para mostrar que o esporte está engajado com a sustentabilidade”, destacou o executivo da CBF.
Estratégia
As metodologias de neutralização de carbono e mensuração de resíduos também integrarão a operação da Copa do Mundo Feminina de 2027. Embora a Fifa centralize a organização e possua diretrizes próprias para o torneio internacional, a CBF atuará de forma coordenada para medir a geração de resíduos nos estádios sedes e aplicar ações de impacto social e ambiental durante a competição.
Paralelamente à pauta ESG, a CBF também projeta uma postura de maior rigor em relação ao combate a atos discriminatórios durante o Mundial de 2027. Ao analisar episódios recentes em torneios masculinos no exterior, nos quais protocolos antirracistas apresentaram falhas de aplicação ou geraram punições indevidas a atletas que denunciaram abusos, o Ricardo Gluck Paul defendeu o fortalecimento das medidas de prevenção e punição no Brasil.
O dirigente mencionou os avanços regulatórios do futebol brasileiro, citando a aplicação da Lei Vinicius Júnior como referência no enfrentamento ao racismo nos estádios. Para 2027, a entidade pretende dialogar com a Fifa para assegurar a aplicação severa dos regulamentos e evitar incidentes em solo nacional.
“O Brasil foi protagonista na construção de ações contra o racismo no futebol recente e precisa se posicionar fortemente para a Copa do Mundo de 2027. Tivemos episódios em competições masculinas no exterior com falhas graves de protocolo que considero inaceitáveis. Vamos endurecer a postura para garantir que esse tipo de conduta não seja tolerado em solo nacional”, concluiu Ricardo Gluck Paul.
