O mercado de produtos esportivos femininos vem passando por mudanças significativas, com foco em moda, estilo de vida e personalização.
Empresas e ligas têm buscado atender a uma demanda distinta da observada no esporte masculino, marcada pelo desejo de peças exclusivas e que transmitam mensagens sociais.
Mercado
Segundo levantamento da Genius Sports, 70% das fãs de esportes femininos já compraram produtos oficiais, número superior ao de ingressos adquiridos.
A Monarch Commerce, subsidiária da Monarch Collective, tem apostado nesse segmento, transformando camisas em bolsas e firmando contratos com atletas como Breanna Stewart, jogadora do New York Liberty (WNBA).
“Esqueçam a ideia de ‘diminuir e pintar de rosa’, uma abordagem antiga das ligas masculinas para tentar atrair fãs mulheres”, afirmou Samantha Bushy, CEO da empresa, em entrevista ao site Sports Business Journal.
Para ela, o público feminino procura uma experiência mais personalizada e tem poder aquisitivo para isso.
“Superem a abordagem de copiar e colar, de produção em massa, que funcionou em grande escala, mas ignora a individualidade, o estilo e a originalidade que as fãs de esportes desejam”, define a executiva.
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Moda

As ligas femininas têm incorporado elementos de moda às coleções. O Washington Spirit, equipe que disputa a NWSL, principal liga feminina de futebol dos EUA, lançou uniformes remetendo às flores de cerejeira. No Brasil, o São Paulo também buscou elementos da natureza ao lançar sua primeira camisa exclusiva do time feminino, inspirada na flor de lótus.
Na WNAB, Indiana Fever e Golden State Valkyries (ambos da WNBA) apostaram em peças como shorts e jaquetas jeans.
“Em vez de escolher entre moda e paixão pelo esporte, os consumidores esperam cada vez mais ambos”, diz Keri Lenker, vice-presidente associada de parcerias globais e mídia da WNBA.
Identidade
Produtos que transmitem mensagens sociais também têm ganhado relevância. A camiseta “Everyone Watches Women’s Sports” (“Todo mundo assiste aos esportes femininos”, em tradução livre), da Togethxr, tornou-se símbolo do setor, com vendas em milhões de dólares e versões em sete idiomas.
“Os melhores produtos de esportes femininos não dizem ‘Eu assisti a este jogo’. Eles dizem ‘É assim que eu sou’”, defende Jessica Robertson, cofundadora da marca.
“E isso é realmente significativo, porque reflete um fanatismo que se torna parte da identidade cotidiana, em vez de algo reservado para o dia do jogo, o que também significa que esses produtos começam a entrar em espaços culturais mesmo fora do esporte”, completa.
A PWHL (liga feminina de hóguei no gelo) registrou aumento de 110% nas vendas e planeja ampliar a oferta de produtos licenciados. A Fanatics destacou que a WNBA está entre as ligas de maior crescimento em merchandising.
“O mercado feminino em todas as nossas ligas profissionais está crescendo e precisa ser melhor atendido por toda a indústria”, acredita Sam Archibald, diretor de merchandising da Fanatics. “Vocês verão a oferta crescer no segmento feminino com o tempo”, prevê.
