A Federação Internacional de Futebol (Fifa), que vive uma intensa crise política com Gianni Infantino na presidência, tem promovido movimentações em diferentes regiões do mundo, marcadas pela criação de novas competições e por alterações na estrutura de gestão continental.
Na Ásia, a entidade confirmou a realização da edição inaugural da Copa Fifa Asean, um torneio voltado para seleções do Sudeste Asiático que ocorrerá entre os meses de setembro e outubro. Paralelamente, nas Américas, Infantino determinou a separação administrativa dos países do Caribe do restante da Concacaf, nomeando o executivo suíço Gelson Fernandes como novo diretor de associações membros focado exclusivamente na região caribenha.
A competição asiática reunirá 14 seleções, divididas em duas divisões, com sedes na Indonésia e em Hong Kong, mesclando membros locais e nações convidadas, como Bangladesh e Paquistão.
Enquanto isso, a alteração administrativa na Concacaf substituiu o antigo responsável pela articulação com os 21 membros caribenhos, passando a função a um nome de confiança do alto escalão da Fifa, que agora acumulará o trabalho no Caribe com suas operações já estabelecidas no continente africano.
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Polêmicas
De acordo com o veículo Inside World Football, a formulação da Copa Fifa Asean, por exemplo, teria avançado sem consultas prévias à Confederação Asiática de Futebol (AFC) ou à federação regional (AFF), que tomaram conhecimento do projeto por meio da imprensa após a assinatura de um memorando de entendimento conduzido diretamente por Infantino.
A criação de um torneio próprio em uma região já assistida por uma confederação levantou questionamentos sobre a centralização de direitos comerciais por parte da Fifa, através da Fifa Forward Enterprise (FFE), projeto responsável por causar a maior crise de reputação de Infantino até o momento.
Da mesma forma, a reestruturação administrativa no Caribe teria sido comunicada sem aviso prévio à própria Concacaf. A separação do bloco caribenho é vista como uma tentativa de fragmentar os votos da entidade antes das próximas eleições presidenciais.
A movimentação enfraqueceria potenciais candidaturas de oposição ao atrelar o apoio político de federações menores à promessa de repasses de fundos de desenvolvimento milionários aprovados de forma direta pela presidência.
Denúncia
Enquanto isso, no mesmo período em que articula sua expansão de influência regional de olho em um quarto mandato em 2027, Gianni Infantino enfrenta uma nova denúncia no Comitê de Ética da Fifa.
A organização não governamental FairSquare protocolou uma ação contra o dirigente, apoiada por um abaixo-assinado com mais de 100 mil adesões. A queixa acusa o mandatário de violações ao código de ética da Fifa, incluindo quebras de neutralidade política e lealdade institucional devido a aproximações antigas com figuras do governo dos Estados Unidos.
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O documento também aponta indícios de abuso de poder nas negociações recentes envolvendo a comercialização de ativos e iniciativas corporativas da entidade. A argumentação sustenta que a condução desses negócios contornou os ritos de aprovação tradicionais da Fifa e manteve as associações nacionais sem informações sobre os reais impactos financeiros das operações.
