O Flamengo encerrou os nove primeiros meses de 2026 com receita bruta total de R$ 1,34 bilhão, segundo o relatório financeiro referente ao terceiro trimestre divulgado pelo clube.
O Rubro-Negro teve um superávit de R$ 38,3 milhões no último trimestre, fazendo com que o acumulado no ano passasse a um número positivo, embora baixo: R$ 4,5 milhões.
Contratações
Ao longo desta temporada, o Flamengo fez seu maior investimento em contratações na história, atingindo R$ 667,7 milhões em gastos até setembro, graças às chegadas do atacante argentino Joaquín Freitas (R$ 66,8 milhões) e do ponta-direita equatoriano Anthony Valencia (R$ 43,9 milhões).
No entanto, nenhuma contratação custou mais do que a de Lucas Paquetá, negociado pelo West Ham, da Inglaterra por € 42 milhões. No total, o meia custou ao Rubro-Negro, entre direitos econômicos e luas, R$ 299,1 milhões.
Ao longo da temporada, o clube também teve gastos na contratação do zagueiro Vitão (R$ 81,9 milhões) e do goleiro Andrew Ventura (R$ 34,7 milhões), além da renovação com Erick Pulgar.
Por outro lado, a venda de jogadores gerou receita bruta de R$ 174,7 milhões. As principais vendas foram Ryan Roberto ao Shakhtar Donetsk (R$ 56,2 milhões), Wallace Yan ao Red Bull Bragantino (R$ 30,7 milhões) e de Lorran Lorran ao Sharjah (R$ 6,7 milhões).
O clube também arrecadou R$ 18,7 milhões com mecanismo de solidariedade e R$ 12,9 milhões por participações em transferências de terceiros.
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Receitas
O documento aponta que a receita recorrente bruta, indicador que exclui negociações de atletas, atingiu R$ 1,17 bilhão nos nove meses, crescimento de 11,3% em relação ao mesmo período de 2025. Sem considerar os efeitos da participação na Copa do Mundo de Clubes de 2025, torneio da Fifa com alta premiação, o crescimento foi de 30,8%.
As receitas operacionais brutas consolidadas alcançaram R$ 1,166 bilhão nos nove primeiros meses de 2026. O principal segmento foi licenciamento, patrocínio e publicidade, responsável por R$ 507,9 milhões. Dentro dessa categoria, os patrocínios geraram R$ 375,2 milhões e o licenciamento e royalties responderam por R$ 132,7 milhões.
As receitas de operações de jogos chegaram a R$ 292,3 milhões, distribuídas entre bilheteria (R$ 120,2 milhões), sócio-torcedor (R$ 79,7 milhões) e receitas ligadas ao estádio e à operação do Maracanã (R$ 92,4 milhões).
Na área de mídia, o clube arrecadou R$ 273,7 milhões. Os direitos de transmissão fixos representaram R$ 191 milhões, enquanto receitas ligadas à premiações e exposição comercial somaram R$ 63,4 milhões.
O relatório destaca crescimento de 42,9% nas receitas de licenciamento, patrocínio e publicidade e avanço de 27,6% nas operações de jogos em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Rentabilidade

O Ebitda recorrente (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) alcançou R$ 289,9 milhões entre janeiro e setembro, com margem de 26,5%.
É o maior resultado do indicador para os nove primeiros meses de um exercício na história do clube. No terceiro trimestre, o Ebitda recorrente foi de R$ 133 milhões, com margem de 32,5%.
Já a receita operacional líquida consolidada ficou em R$ 1,095 bilhão, ante R$ 995,9 milhões obtidos no mesmo período no ano passado.
Parte da pressão sobre o resultado veio da amortização dos direitos econômicos de atletas, que consumiu R$ 293 milhões no período. O custo total das atividades sociais e esportivas atingiu R$ 960,2 milhões.
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Endividamento
Apesar do forte ciclo de investimentos, o Flamengo informou que reduziu seu Endividamento Operacional Líquido (EOL) para R$ 376,1 milhões ao final de setembro.
O valor representa queda de 23% em relação aos R$ 488,1 milhões registrados em março deste ano. O indicador corresponde a 0,92 vez o Ebitda dos últimos 12 meses.
O passivo consolidado totalizou R$ 1,393 bilhão em setembro, frente a R$ 1,264 bilhão no encerramento de 2025, o que representa um aumento de 10,3%. As dívidas de curto prazo cresceram ainda mais, atingindo R#$ 744,2 milhões em 2026, uma alta de 15,1% em relação ao mesmo período de 2025.
O caixa livre consolidado fechou setembro em R$ 84,1 milhões, excluindo recursos com destinação específica para projetos incentivados. A geração operacional de caixa atingiu R$ 459,4 milhões nos nove primeiros meses do ano.
Patrimônio
O balanço também mostra crescimento dos ativos do clube. O ativo consolidado totalizou R$ 2,355 bilhões em setembro, contra R$ 2,221 bilhões no fim de 2025. O ativo intangível, que engloba principalmente direitos sobre atletas, alcançou R$ 1,292 bilhão.
Outra frente relevante continua sendo a operação do Maracanã por meio da Fla-Flu Serviços S.A. O clube mantém participação de 65% na concessionária responsável pela gestão do complexo esportivo.
O relatório também registra a manutenção do terreno adquirido para a construção do futuro estádio próprio, contabilizado em R$ 146,1 milhões dentro do ativo imobilizado.
O projeto da arena, porém, foi adiado na gestão do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, alegando alto custo e possível endividamento do clube, prejudicando o desempenho esportivo. A nova previsão é de conclusão da obra no mínimo em julho de 2036, dependendo de diversos fatores externos.
