O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) divulgou nota oficial em que contesta estudo divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) que relacionou o aumento do consumo no setor à Medida Provisória 1.394/2026, de 25 de setembro, que proibiu as bets no Brasil.
Para o IBJR, não há comprovação técnica de que a medida tenha provocado o aquecimento econômico no varejo alimentar. O instituto argumenta que a própria Abras já mostrava, nos meses passados, que o comércio de alimentos já registrava trajetória ascendente antes da publicação da MP.
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Macroeconomia
O IBJR afirma que o desempenho decorre de indicadores macroeconômicos e fatores que aqueceram a economia nacional ao longo do ano, como emprego e renda. Dados do monitoramento Abras/NIQ mostram que as vendas nominais subiram 7,9% entre 14 e 20 de setembro em comparação com o mesmo período de 2025, patamar próximo aos 7,4% apurados entre 5 e 11 de outubro.
Carlos Lima, presidente executivo do IBJR, ressaltou que a movimentação do comércio responde a um conjunto mais amplo de variáveis econômicas, como renda, emprego, redução da inflação de alimentos e programas governamentais.
“Outros fatores levaram ao crescimento do consumo das famílias, que não têm nada a ver com a questão da proibição do setor de apostas”, argumentou Lima, em entrevista à Máquina do Esporte.
“Você não consegue fazer uma questão de causa e consequência. Não tem nenhuma correlação em relação a isso. A própria Abras não consegue comprovar isso”, acrescentou o dirigente.
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Outros fatores
Lima também afirma que incentivos fiscais e transferências de renda impulsionaram o poder de compra no segundo semestre deste ano.
Entre as medidas citadas pelo executivo estão a liberação de R$ 5,2 bilhões em abono salarial para mais de 4 milhões de trabalhadores, a desoneração de combustíveis, a adoção da bandeira verde nas tarifas de energia elétrica e a renegociação de dívidas por meio de programas governamentais.
“Não tem nenhuma sustentação a Abras atrelar a proibição do setor de apostas ao crescimento do consumo de comida. Chega a ser até leviano a gente fazer uma comparação dessas”, criticou.
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Guerra de números
O IBJR também rebate estimativas que atribuem ao segmento de jogos a retirada de R$ 143 bilhões do comércio ou o desfalque de R$ 62,5 bilhões na renda das famílias, gerando suposto impacto no orçamento familiar.
De acordo com o instituto, esses valores partem de projeções gerais de transferências via Pix sem distinção entre operadores licenciados e plataformas clandestinas.
Segundo dados do Ministério da Fazenda, o mercado regulado registrou cerca de R$ 37 bilhões em receita bruta dos jogos (GGR, na sigla em inglês) no ano passado, o primeiro com mercado regulado. Esse montante corresponde ao gasto líquido real dos apostadores nas empresas autorizadas.
Frente aos R$ 8,1 trilhões consumidos pelas famílias em 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o faturamento do segmento equivaleu a 0,46% do total.
“[O setor de apostas] representava 0,46% do consumo das famílias. Juros com cartão de crédito é 8,8%”, defende Lima.
“O próprio Banco Central acabou de soltar um estudo hoje falando sobre o crescimento do endividamento das famílias. E o setor de apostas não está entre os itens elencados como responsáveis”, acrescenta.
O representante do IBJR se refere a dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo BC que mostram que a inadimplência de pessoas físicas se manteve em 6% em setembro, sendo o maior índice da série histórica.
Bets ilegais
O dirigente afirma que a interrupção das operações das bets legalizadas, não acabou com a atividade de apostas no país. O Supremo Tribunal Federal (STF) convocou para a próxima terça-feira (3 de novembro) audiência para tratar do tema. O IBJR é uma das partes interessadas.
“Quanto mais demora para uma decisão do Supremo em relação à Medida Provisória, há o crescimento de mercado ilegal e só se agrava o aumento de demissões no setor”, destaca Lima.
“O que temos visto na prática é que a proibição não fez com que a demanda reduzisse. Ao contrário, o mercado ilegal está crescendo”, conclui.
