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IBJR contesta Abras e nega relação entre alta no consumo de alimentos e proibição das bets

Entidade, que representa setor de apostas, diz que avanço em vendas de supermercados possui outras razões macroeconômicas

Carlos Lima, presidente executivo do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) - Divulgação

Carlos Lima, presidente executivo do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) - Divulgação

⚡ Máquina Fast
  • IBJR contesta estudo da Abras e afirma que não há comprovação de que proibição das bets causou aquecimento no varejo alimentar.
  • IBJR destaca que crescimento do consumo se deve a fatores macroeconômicos como emprego, renda e incentivos fiscais.
  • IBJR alerta que proibição aumentou o mercado ilegal de apostas e defende decisão rápida do STF para regularização.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) divulgou nota oficial em que contesta estudo divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) que relacionou o aumento do consumo no setor à Medida Provisória 1.394/2026, de 25 de setembro, que proibiu as bets no Brasil.

Para o IBJR, não há comprovação técnica de que a medida tenha provocado o aquecimento econômico no varejo alimentar. O instituto argumenta que a própria Abras já mostrava, nos meses passados, que o comércio de alimentos já registrava trajetória ascendente antes da publicação da MP.

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Macroeconomia

O IBJR afirma que o desempenho decorre de indicadores macroeconômicos e fatores que aqueceram a economia nacional ao longo do ano, como emprego e renda. Dados do monitoramento Abras/NIQ mostram que as vendas nominais subiram 7,9% entre 14 e 20 de setembro em comparação com o mesmo período de 2025, patamar próximo aos 7,4% apurados entre 5 e 11 de outubro.

Carlos Lima, presidente executivo do IBJR, ressaltou que a movimentação do comércio responde a um conjunto mais amplo de variáveis econômicas, como renda, emprego, redução da inflação de alimentos e programas governamentais.

“Outros fatores levaram ao crescimento do consumo das famílias, que não têm nada a ver com a questão da proibição do setor de apostas”, argumentou Lima, em entrevista à Máquina do Esporte.

“Você não consegue fazer uma questão de causa e consequência. Não tem nenhuma correlação em relação a isso. A própria Abras não consegue comprovar isso”, acrescentou o dirigente.

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Outros fatores

Lima também afirma que incentivos fiscais e transferências de renda impulsionaram o poder de compra no segundo semestre deste ano.

Entre as medidas citadas pelo executivo estão a liberação de R$ 5,2 bilhões em abono salarial para mais de 4 milhões de trabalhadores, a desoneração de combustíveis, a adoção da bandeira verde nas tarifas de energia elétrica e a renegociação de dívidas por meio de programas governamentais.

“Não tem nenhuma sustentação a Abras atrelar a proibição do setor de apostas ao crescimento do consumo de comida. Chega a ser até leviano a gente fazer uma comparação dessas”, criticou.

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Guerra de números

O IBJR também rebate estimativas que atribuem ao segmento de jogos a retirada de R$ 143 bilhões do comércio ou o desfalque de R$ 62,5 bilhões na renda das famílias, gerando suposto impacto no orçamento familiar.

De acordo com o instituto, esses valores partem de projeções gerais de transferências via Pix sem distinção entre operadores licenciados e plataformas clandestinas.

Segundo dados do Ministério da Fazenda, o mercado regulado registrou cerca de R$ 37 bilhões em receita bruta dos jogos (GGR, na sigla em inglês) no ano passado, o primeiro com mercado regulado. Esse montante corresponde ao gasto líquido real dos apostadores nas empresas autorizadas.

Frente aos R$ 8,1 trilhões consumidos pelas famílias em 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o faturamento do segmento equivaleu a 0,46% do total.

“[O setor de apostas] representava 0,46% do consumo das famílias. Juros com cartão de crédito é 8,8%”, defende Lima.

“O próprio Banco Central acabou de soltar um estudo hoje falando sobre o crescimento do endividamento das famílias. E o setor de apostas não está entre os itens elencados como responsáveis”, acrescenta.

O representante do IBJR se refere a dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo BC que mostram que a inadimplência de pessoas físicas se manteve em 6% em setembro, sendo o maior índice da série histórica.

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Bets ilegais

O dirigente afirma que a interrupção das operações das bets legalizadas, não acabou com a atividade de apostas no país. O Supremo Tribunal Federal (STF) convocou para a próxima terça-feira (3 de novembro) audiência para tratar do tema. O IBJR é uma das partes interessadas.

“Quanto mais demora para uma decisão do Supremo em relação à Medida Provisória, há o crescimento de mercado ilegal e só se agrava o aumento de demissões no setor”, destaca Lima.

“O que temos visto na prática é que a proibição não fez com que a demanda reduzisse. Ao contrário, o mercado ilegal está crescendo”, conclui.