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“Jogos do Doping” terão medalhistas dos 100 m do Mundial de Atletismo 2022

Bracy-Williams e Wallace confirmam participação em evento que permite uso de substâncias dopantes para melhoria de performance

Velocistas anunciados nos Enhanced Games, onde o doping será permitido - Divulgação

Velocistas anunciados nos Enhanced Games, onde o doping será permitido - Divulgação

Os Enhanced Games terão a presença de dois dos três integrantes do pódio dos 100 m no Campeonato Mundial de Atletismo 2022, disputado em Eugene, nos Estados Unidos.

Os Jogos Aprimorados (em tradução livre) são uma nova  competição que permite o uso de doping para melhoria da performance. Por conta disse, seus críticos o apelidaram de “Jogos do Doping”. O evento inaugural será no Resorts World, em Las Vegas, nos EUA, em maio.

Marvin Bracy-Williams, que cumpre suspensão de 45 meses por doping desde novembro, se inscreveu na disputa. O norte-americano, medalha de prata em Eugene 2022, se junta ao compatriota Fred Kerley, campeão mundial no mesmo ano e medalhista de bronze nos 100 metros dos Jogos Olímpicos de Paris.

Atrações

Bracy-Williams não compete desde 2023 e está suspenso até 2028. Porém, ao optar por competir nos Enhanced Games, pode nunca mais voltar a competir oficialmente. Sebastian Coe, presidente da World Athletics, entidade que comanda o atletismo mundial, alertou que os atletas que decidirem participar da competição que permite o doping “serão banidos por um longo período”.

A ameaça não impediu a jamaicana Shockoria Wallace, de 32 anos, que já estava aposentada das pistas, de decidir participar dos Enhanced Games.

“Eles oferecem muito aos atletas, e sou muito grata pela oportunidade de trabalhar com eles daqui para frente”, disse a velocista, em entrevista ao Jamaica Observer.

“Eu, Shockoria Wallace, vou correr naquela pista para quebrar o recorde mundial e ganhar o grande prêmio de US$ 1 milhão. Estou animada”, comentou.

Além de Bracy-Williams Kerley e Shockoria, também já confirmaram presença os velocistas Taylor Anderson e Shania Collins (EUA); Mike Bryan (Alemanha); Clarence Munyai  (África do Sul); Reece Prescod (Reino Unido); Mouhamadou Fall (França) e Emmanuel Matadi (Libéria). A maioria desses atletas ou são recém-aposentados ou cumprem suspensão por doping neste momento.

Nas piscinas as atrações serão o australiano James Manussen, dono de três medalhas olímpicas e bicampeão mundial dos 100 m livre, o britânico Ben Proud, vice-campeão dos 50 m livre nos Jogos de Paris 2024, a norte-americana Megan Romano, dona de quatro ouros somando Mundiais de piscina longa e curta, e seu compatriota Cody Miller, campeão olímpico do 4 x 100 m livre no Rio 2016.

Recordes

Criados em 2023 pelo empresário australiano Aron D’Souza, os Enhanced Games atraíram investidores como Peter Thiel e Donald Trump Jr., filho de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, por coincidência país-sede da próxima edição dos Jogos Olímpicos, em Los Angeles 2028.

O evento prevê premiação de até US$ 500 mil por prova, além de bônus de US$ 1 milhão para quebra de recordes mundiais em modalidades de velocidade como os 100 metros e os 50 metros nado livre.

O atual recordista dos 100 m é o jamaicano Usain Bolt, com 9s58, obtido no Campeonato Mundial de Berlim 2009. Já a marca na piscina olímpica (50 m) pertence ao brasileiro César Cielo, que cravou 20s91 no Open de São Paulo, também em 2009.

Com o doping liberado, a expectativa dos organizadores dos Enhanced Games é que esses tempos sejam superados. Curiosamente, o evento ainda obedece regras da FDA, agência que regula alimentos e medicamentos nos Estados Unidos. Assim, drogas ilícitas, como cocaína e heroína, que não ajudam a melhorar a performance esportiva, estão proibidas na competição.

Obviamente, as marcas obtidas nos Enhanced Games não serão oficializadas pelas federações internacionais de cada modalidade, nem pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), já que não obedecem às regras da Agência Mundial Antidoping (Wada).