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Flamengo alega falta de estrutura de base e demite campeão olímpico Isaquias Queiroz

Rubro-Negro anuncia encerramento de participação do clube na canoagem e no pararemo a partir de 2026

Isaquias Queiroz celebra a conquista da medalha de prata em Paris 2024 - Alexandre Loureiro / COB

Isaquias Queiroz celebra a conquista da medalha de prata em Paris 2024 - Alexandre Loureiro / COB

O Flamengo anunciou, nesta segunda-feira (5), o fim de sua atuação na canoagem, decisão que inclui a demissão do campeão olímpico Isaquias Queiroz, e no remo paralímpico.

Isaquias é dono de cinco medalhas em Jogos Olímpicos (1 ouro, 3 pratas e 1 bronze), incluindo um segundo lugar no C-1 1.000 m em Paris 2024. Em sua última passagem pelo Flamengo, Isaquias, de 32 anos, vestiu a camisa rubro-negra por cerca de sete temporadas.

Finanças

Ambas as modalidades seriam deficitárias ao Flamengo, que precisaria alocar recursos de outras áreas para manter os projetos.

No caso da canoagem, segundo o Rubro-Negro, a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) optou por não se vincular mais ao Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), o que impediu a chancela dos eventos e o repasse desses recursos às equipes. Com isso, o Flamengo afirma ter deixado de receber uma parte importante do financiamento que sustentava a modalidade.

Já nos esportes paralímpicos, até 2023 o CBC é quem apoiava essas modalidades. Com a nova Lei Geral do Esporte, foi criado o Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos (CBCP), que passou a receber essas verbas. Ambas as entidades recebem parcela da Lei Piva, que destina parte da arrecadação das Loterias da Caixa ao esporte olímpico e paralímpico do país.

O CBCP, porém, ainda não estruturou linhas de financiamento equivalentes às que eram feitas pelo CBC, o que fez com que esse dinheiro também deixasse de chegar ao clube. Por isso, o Flamengo conta que passou a arcar praticamente sozinho com os custos, o que inviabilizou a continuidade dessas modalidades.

Lei de Incentivo ao Esporte

O curioso é que, segundo o Ministério do Esporte, o Rubro-Negro também conta com dois projetos de captação de recursos via Lei de Incentivo ao Esporte, para canoagem velocidade e remo, que haviam sido aprovados, com prazos até junho deste ano e outubro de 2027.

Somadas, as iniciativas previam captação de R$ 5.772.195,92 no mercado para o desenvolvimento da canoagem e do remo (incluindo modalidades paralímpicas) na equipe carioca.

Canoagem

Segundo comunicado oficial divulgado pelo Flamengo, o fim da equipe de canoagem, fez parte de uma avaliação estratégica realizada pela diretoria no final do ano.

O Rubro-Negro alega que a decisão está “em consonância com a filosofia rubro-negra de aliar excelência competitiva ao investimento contínuo na formação, no desenvolvimento de atletas e no fortalecimento das modalidades a partir de estruturas permanentes”.

O time carioca também destacou que Isaquias, Gabriel Assunção, Mateus dos Santos e Valdenice do Nascimento, que também deixaram o Flamengo, não residem nem treinam no Rio de Janeiro, o que inviabiliza a consolidação de um trabalho de base e a formação de novos talentos na modalidade.

Pararemo

O Flamengo comunicou ainda o encerramento da participação no remo paralímpico. Com isso, foram desligados os remadores Michel Pessanha, Gessyca Guerra, Diana Barcellos e Valdenir Junior, que representavam o clube.

Michel foi medalha de prata no skiff duplo no Mundial Indoor 2015, em Boston (EUA), e bronze no skiff duplo misto no Mundial de Amsterdã 2014, na Holanda.

Gessyca foi campeã de duplas mistas no Sul-Americano 2024 e de duplas na Copa do Mundo 2025, ambas na classe PR2.

Já Diana e Valdeni têm no currículo uma prata na dupla mista durante a segunda etapa da Copa do Mundo da Itália, em 2023. A pararemadora também é bicampeã mundial da prova, tendo ficado com o ouro em Sarasota 2017, nos EUA, e Plovdiv 2018, na Bulgária, além da prata em Račice 2022, na República Tcheca.