A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou, nesta terça-feira (23), no escritório localizado em Miami (EUA), o projeto Seleção Carbono Neutra. A iniciativa tem como meta zerar o balanço de emissões de gases de efeito estufa da equipe nacional durante a disputa da Copa do Mundo de 2026, por meio da compensação da pegada de carbono gerada pela delegação ao longo do torneio.
A medida integra a plataforma corporativa CBF Impacta, braço da entidade voltado para as diretrizes ambientais, sociais e de governança (ESG). O processo de cálculo e o controle operacional são conduzidos em parceria com o Instituto Climático VBH.
A empresa atua na estimativa prévia de emissões, na compensação da parcela que não pode ser evitada, no inventário pós-evento e na elaboração dos relatórios finais. O planejamento para a execução do programa engloba toda a estrutura logística de deslocamento e manutenção da seleção brasileira.
“A seleção brasileira é um patrimônio mundial e, justamente por isso, deve assumir um papel de protagonismo nas causas que impactam o futuro do planeta. Queremos conquistar o hexacampeonato, mas também deixar um legado positivo”, disse Samir Xaud, presidente da CBF.
O mapeamento realizado pela organização parceira identificou que o transporte é o principal gerador de gases de efeito estufa da operação, respondendo por 72% do volume total. A hospedagem representa 16% do impacto, seguida pela alimentação, com 9%, e pela geração de resíduos, que equivale a 3%.
A compensação é realizada por intermédio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, uma ferramenta validada pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) que permite a aquisição de créditos de carbono. Para a operação da CBF, a baixa desses créditos foi direcionada ao projeto do Aterro Sanitário de Seropédica, localizado no Rio de Janeiro.
“O CBF Impacta nasceu para inserir a sustentabilidade no centro das decisões da Confederação. A iniciativa é mais um passo nessa jornada e mostra que é possível conciliar excelência esportiva e responsabilidade ambiental, transformando a força da nossa Seleção em uma plataforma de conscientização e de exemplo para o futebol mundial”, exaltou Ricardo Gluck Paul, vice-presidente da CBF.
O compromisso com a pauta climática havia sido estabelecido pelo presidente da entidade, Samir Xaud, em julho de 2025, logo após assumir a gestão. O planejamento estratégico, que também abrange a equipe feminina, foi apresentado publicamente durante a COP30, conferência climática realizada em Belém (PA).
Ações
A metodologia de compensação já foi aplicada em compromissos recentes da equipe. No amistoso de preparação contra o Egito, disputado em Cleveland, a estimativa inicial apontava a emissão de 168 toneladas de dióxido de carbono equivalente.
Com o objetivo de garantir a cobertura de cenários mais críticos, a entidade neutralizou 273 toneladas, com a certificação já emitida pelo órgão internacional.
Nos confrontos válidos pela fase de grupos do Mundial, os índices projetados são menores em função das distâncias logísticas. No jogo contra o Marrocos, a previsão foi de 19 toneladas de emissão, com uma compensação estruturada para 57 toneladas.
No jogo contra o Haiti, pela segunda rodada, a estimativa ficou em 22 toneladas, enquanto a meta de neutralização subiu para 36 toneladas. Os pedidos referentes a esses dois jogos já foram submetidos e aguardam a liberação dos certificados oficiais.
Para o duelo contra a Escócia, na quarta-feira (24), a confederação projeta 61 toneladas emitidas e um plano de neutralização de 80 toneladas.
“Ser a primeira seleção nacional carbono neutra do mundo é uma demonstração de que o futebol pode inspirar mudanças concretas e contribuir para um futuro mais sustentável”, concluiu Samir Xaud.
