Pular para o conteúdo
Erich Beting - São Paulo (SP)

Erich Beting

5 min de leitura

Copa 2026

Cifras recordes apoiam “sonho grande” da Fifa e de Gianni Infantino na maior Copa da história

Materialização do projeto megalomaníaco do presidente da entidade acontece em meio a críticas, mas com a maior lucratividade de um Mundial na história

Erich Beting - São Paulo (SP) • Colunista

11/06/2026 11h34

Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante discurso para a imprensa - Reprodução

Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante discurso para a imprensa - Reprodução

⚡ Máquina Fast
  • Copa do Mundo 2026 estreia com México e África do Sul e é a maior da história com 48 seleções.
  • Fifa prevê receita recorde de US$ 13 bilhões, impulsionada principalmente pelos Estados Unidos.
  • Aumento de premiações e fundo de US$ 2,25 bilhões visam desenvolver o futebol globalmente.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.Feito por shiftx

O sonho megalomaníaco de Gianni Infantino, presidente da Fifa, começa a se materializar nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, quando entram em campo as seleções de México e África do Sul para darem início à maior Copa do Mundo da história.

LEIA MAIS: México x África do Sul: Onde assistir ao jogo da 1ª rodada do Grupo A da Copa do Mundo

O Estádio Azteca lotado para torcer por uma das três anfitriãs do torneio, precedido de um show com diversos artistas globais, deve fazer sorrir o homem que colocou de pé o mais ambicioso projeto da Fifa desde a transformação da mesma Copa do Mundo em um evento de projeção global, em 1970.

Em meio a críticas pelo tratamento dado pelos Estados Unidos a profissionais que chegam para trabalhar no país, ao custo altíssimo para a aquisição de ingressos e à transformação do Mundial em um show de propaganda para a política internacional agressiva de Donald Trump, Gianni Infantino e a Fifa colhem os frutos, pelo menos financeiros, da estratégia traçada em 2017, quando foi aprovado o aumento de 32 para 48 seleções no Mundial.

Copa maior, bolso mais cheio

Pelo menos no balanço financeiro, a maior Copa do Mundo já vista provou ter sido um acerto. O ciclo comercial de 2023 a 2026 da Fifa deve alcançar a histórica marca de US$ 13 bilhões em receitas totais, superando com folga os US$ 7,5 bilhões arrecadados no período do Catar (2019-2022). 

Por trás dessa grandiosa arrecadação está exatamente a aposta que tanto gera danos à imagem de Infantino e da Fifa: a parceria com os Estados Unidos na organização do Mundial.

É principalmente por conta do maior anfitrião do torneio (os EUA receberão 78 dos 104 jogos) que a pressão sobre a Fifa e Infantino é tão grande. Mas é também por conta da força econômica norte-americana que esta será a edição mais lucrativa de uma Copa, gerando quase US$ 9 bilhões em receita direta para a entidade máxima do futebol.

A Copa expandida gerou aumento de arrecadação nas três principais linhas de receita do torneio: direitos de mídia, comercial e venda de ingressos. 

Os números se tornaram superlativos: os direitos de transmissão atingiram a marca de US$ 4,3 bilhões no ciclo, uma alta de 24% em relação ao Catar, enquanto as propriedades de patrocínio renderam à Fifa um aumento ainda maior, de 59%, chegando a US$ 2,8 bilhões, tendo chance de aumentar ainda para mais de US$ 3 bilhões.

O grande ponto de polêmica, porém, são os ingressos. Projeto pessoal de Infantino, a tabela dinâmica de precificação dos jogos rende muita discussão sobre os prejuízos causados ao torcedor, mas ao mesmo tempo engorda os cofres da Fifa.

A entidade projeta arrecadar US$ 3 bilhões apenas com receitas de bilheteria e vendas de pacotes de hospitalidade vip. É um valor seis vezes maior do que o que foi registrado no Catar, há quatro anos.

O problema é o custo de imagem que a decisão tomada pelo dirigente causou. A abertura de uma plataforma própria de revenda dos ingressos, bem como a cobrança exorbitante para a entrada em jogos de menor apelo tem causado dor de cabeça até com autoridades públicas norte-americanas.

Na véspera da abertura do Mundial, Infantino tentou minimizar o problema usando o mercado norte-americano como base de comparação, e não os próprios eventos da Fifa.

“Quando você está nessa parte do mundo, é preciso lidar com os hábitos locais. Eu gostaria de dizer que nosso preço de entrada, que é de US$ 60, é o menor valor de bilhetes em comparação com qualquer evento esportivo nos Estados Unidos nessa fase. É mais uma vez o mais baixo quando comparamos com outros esportes”, disse o dirigente, em um discurso à imprensa.

Mais dinheiro, mas não só para a Fifa

Com tanta ambição financeira, a Fifa tratou de expandir os ganhos de toda a cadeia do futebol para minimizar as críticas às mudanças implementadas em 2026. 

O montante total de premiações distribuídas na Copa saltou para US$ 871 milhões. Cada uma das federações participantes garante, só por estar na fase de grupos, US$ 12,5 milhões. Países como Curaçao e Cabo Verde nunca tiveram tanto dinheiro na mão. O campeão mundial embolsará ainda US$ 53,5 milhões.

Da mesma forma, os times que cederam jogadores para a Copa embolsam centenas de milhares de dólares pelo período em que eles estiverem a serviço de seus países. Ao todo, US$ 355 milhões irão para os clubes.

LEIA MAIS: Times brasileiros devem ganhar total de US$ 160 mil ao dia pela presença de seus atletas na Copa 2026

A melhor forma de atender a todos os 211 filiados, porém, foi criar um fundo de “desenvolvimento do futebol”, que destina cerca de US$ 2,25 bilhões para financiar o futebol de base, feminino, infraestrutura e ligas locais em todas as entidades vinculadas à Fifa.

A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), por exemplo, ganhará US$ 60 milhões da entidade, enquanto a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ficará com US$ 8 milhões.

“O mais importante é que cada dólar gerado volta para o futebol. Precisamos encontrar um equilíbrio. Como presidente da Fifa, é importante investir em países onde ninguém mais investe. Fazemos isso graças às receitas”, justificou-se Infantino.

Então, que os jogos (e os lucros) comecem.