O Haiti fará sua estreia na Copa do Mundo de 2026 com um uniforme diferente do originalmente planejado. A mudança ocorreu após a Fifa rejeitar o desenho inicial da camisa, alegando que alguns elementos poderiam ser interpretados como uma declaração política.
Segundo a fabricante colombiana Saeta, responsável pelos uniformes da equipe, “durante o processo de revisão, a Fifa determinou que certos elementos visuais poderiam ser interpretados de forma diferente de acordo com seu regulamento de equipamentos e, por fim, solicitou uma modificação no design”.
A empresa informou que o modelo final havia sido concebido como uma homenagem ao povo haitiano, e não como uma manifestação política. Procurada pela Máquina do Esporte, a Fifa não comentou o assunto.
Histórico
Esta não é a primeira vez que uniformes haitianos enfrentam questionamentos. Em fevereiro, a estilista ítalo-haitiana Stella Jean precisou alterar os trajes da delegação nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina d’Ampezzo 2026 após o Comitê Olímpico Internacional (COI) considerar que o design violava regras contra propaganda política, religiosa ou racial.
O uniforme trazia a figura de Toussaint Louverture, líder da Revolução Haitiana, em uma batalha, inspirada em uma obra do artista Edouard Duval-Carrié.
Meses antes, torcedores também levantaram debates sobre os padrões geométricos usados nas camisas da seleção durante as Eliminatórias da Copa do Mundo, interpretados por alguns como símbolos vèvè, ligados ao vodu.
Outras versões traziam referências à bandeira haitiana e soldados em combate, em alusão à Batalha de Vertières, de 1803, que marcou a independência do país.
Estreia
O porta-voz da Federação Haitiana de Futebol, Thecieux Jeanty, confirmou que a equipe usará um uniforme diferente do planejado inicialmente na estreia contra a Escócia, no próximo sábado (13), em Boston.
O Haiti está no Grupo C, o mesmo do Brasil, adversário que enfrentará em 19 de junho, na Philadelphia. O país encerrará a participação na primeira fase contra Marrocos, em 24 de junho, em Atlanta.
Esta será a primeira participação do Haiti em uma Copa do Mundo em 52 anos. A classificação aumentou a procura por camisas oficiais, mas a Saeta tem enfrentado dificuldades para atender à demanda. Esse hiato acabou abrindo espaço para a pirataria no país.
