Os problemas de visto para a mãe de Vozinha, acompanhar a estreia do filho na Copa do Mundo 2026 viraram uma questão de política interna nos Estados Unidos logo após o alcance midiático obtido pelo goleiro de Cabo Verde após atuação espetacular contra a Espanha.
O 0 a 0 contra os atuais campeões europeus e a campanha promovida pela CazéTV para aumentar o alcance digital do jogador fizeram com que a lamentação de Vozinha repercutisse inclusive no Congresso dos Estados Unidos.
Negociação
O democrata Hakeem Jeffries, líder da minoria no Parlamento, criticou a política do governo Trump e disse que “nenhuma mãe deveria perder a chance de ver seu filho fazer história”.
O representante de Nova York afirmou ter conversado com o Secretário de Estado Marco Rubio e garantiu que a genitora de Vozinha poderia assistir ao próximo jogo do filho, contra o Uruguai, neste domingo, às 19h (horário de Brasília).
“Todas as taxas [para a mãe de Vozinha] foram dispensadas, de acordo com a política oficial. Os preparativos para a viagem estão sendo feitos para que mãe e filho se reencontrem em Miami”, afirmou o parlamentar, ainda antes de Ana Cândida Évora, a mãe do goleiro, chegar aos Estados Unidos.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos chegou a dizer que não havia registro de solicitação de visto, mas confirmou que tinha trabalhado para viabilizar a entrada dela no país.
Política
As dificuldades enfrentadas pela família de Vozinha estão ligadas ao “Programa Piloto de Caução de Visto”, que obriga cidadãos de 50 países, incluindo Cabo Verde, a depositar entre US$ 5.000 e US$ 15.000 (R$ 2.576 a R$ 77.284 no câmbio atual) para obter visto de turista.
Embora atletas e membros de delegações tenham sido liberados da exigência, familiares dos jogadores ainda enfrentam obstáculos.
“As regras nos Estados Unidos mudaram e tivemos que pagar um imposto muito alto para trazer minha mãe e meus outros irmãos para cá. Não conseguimos fazer isso a tempo”, lamentou Vozinha.
Repercussão
A mãe de Vozinha chegou a Miami antes da segunda partida de Cabo Verde, contra o Uruguai. O goleiro disse que ter a família presente era “muito importante” e que tentaria trazer outros parentes para os próximos jogos.
O episódio também repercutiu entre atletas de outras seleções africanas. O capitão do Senegal, Kalidou Koulibaly, afirmou que torcedores de seu país enfrentaram restrições semelhantes.
“É verdade que alguns torcedores não puderam viajar para os Estados Unidos. Acredito que cada equipe deveria ter seus torcedores. Então, não entendo por que os times da África não possam ter os seus”, reclamou o zagueiro do Al-Hilal.
