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Alexandre Prado

Responsável pela BRP no Brasil, Alexandre Prado se mostra satisfeito com o crescimento da marca, e explica porque a análise estratégica do distanciamento da Bombardier

Gustavo Franceschini Publicado em 23/01/2009, às 17h14

Uma das maiores empresas de aviação do mundo está, indiretamente, investindo no Brasil no ramo de recreação de luxo. Sua marca mais conhecida, porém, não está sendo utilizada. Em vez disso, a Bombardier está ?encolhida? entre as letras da Bombardier Recreational Products (BRP), que produz ?brinquedos? para a classe AAA como jet-skis, quadriciclos e motores de popa.

De maneira inteligente e surpreendente, a subsidiária da gigante canadense, que detém 40% das ações mas não participa das decisões administrativas, prefere andar com as próprias pernas. O caminho, mais longo, deve ser encurtado por um bom aproveitamento das ferramentas de marketing que o seleto público alvo permite.

O resultado, segundo os executivos, já está aparecendo. Em entrevista exclusiva à Máquina do Esporte, Alexandre Prado, gerente da BRP no Brasil, valorizou a presença do nome Bombardier na história da companhia, mas comemorou o recall que sua sigla possui.

?A gente usa muito a marca deles, sim. Ainda faz parte da nossa empresa e até do nosso nome no Brasil. Agora, se você olhar as nossas concessionárias, todas têm a sigla BRP. Isso faz parte da nossa estratégia. E nós já somos conhecidos?, disse o executivo.

O segredo pode estar em uma série de fatores, que incluem, inevitavelmente, o esporte. Patrocinadora de sete pilotos que disputaram o rali Dacar, a BRP está focada em ações eficientes de relacionamento, como reuniões de clientes e boatshows.

?Esse tipo de approach é uma coisa muito específica. Você está totalmente centrado em seu público alvo. Isso te ajuda muito a crescer. Esse tipo de ação é algo que várias empresas estão utilizando como forma de otimizar o investimento em marketing?, avaliou.

Leia a íntegra da entrevista a seguir:

Máquina do Esporte: Conte um pouco sobre a atuação da BRP no Brasil.

Alexandre Prado: A BRP é uma empresa independente da Bombardier, que tem uma porcentagem de ações, mas nenhuma ligação administrativa. Somente 40% como acionista. Nós temos uma linha de produtos de recreação. Tem jet-skis, triciclos, motores de popa. Ela tem a sua matriz em Manaus, onde anteriormente se fabricava motor de popa para o mercado local. Hoje, é o nosso armazém. Em Campinas, nós temos a central de vendas e um escritório comercial, além de um armazém menor para peças e acessórios. É uma empresa de médio porte que vem crescendo muito. São várias as linhas de produtos que vêm crescendo, como, por exemplo, os jet-skis. É um negócio para um público seleto, o que torna o trabalho bem delicado e especial. A BRP tem como missão trazer a recreação para os clientes. Para que isso ocorra, também temos vários projetos de inovação. Uma coisa nova que trouxemos é o Spider, um triciclo inovador que tem causado muito impacto.

ME: E como a BRP atua no esporte?

AP: Nós tivemos sete pilotos no Dacar, sendo um brasileiro, correndo de quadriciclo. Temos uma estrutura de suporte, com mecânicos e todo um staff para ajudá-los. Nós também patrocinamos alguns desses pilotos. Além disso, a gente faz pequenos eventos com relação a patrocínio esportivo, que servem para desenvolver o mercado desses novos modelos.

ME: E que tipo de eventos são esses?

AP: Olha, semana passada nós recebemos uma série de quadriciclos, com os consumidores aqui em Campinas. Nós também participamos de muitos boatshows, que são eventos importantes para que possamos apresentar o nosso serviço para o público.

ME: Vocês trabalham muito com a marca Bombardier?

AP: A gente usa muito a marca deles, sim. Ainda faz parte da nossa empresa e até do nosso nome no Brasil. Agora, se você olhar as nossas concessionárias, todas têm a sigla BRP. Isso faz parte da nossa estratégia. E nós já somos conhecidos assim.

ME: Como funciona o planejamento de marketing de vocês?

AP: A gente procura fazer eventos especiais, distintos. A idéia é sempre fazer algo diferenciado. No começo do ano passado, aconteceu o Open Sea [boatshow da marca que reuniu clientes e curiosos], que teve uma comunicação e um impacto grande. São eventos realmente especiais, que podem atender um grupo de pessoas que façam parte ou estejam interessados em entrar no meio, planejados para divulgar o negócio mesmo. Nós vamos, por exemplo, fazer um passeio de Spider com os proprietários até o fim do mês.

ME: Vocês entendem que esse foco no relacionamento é o caminho ideal?

AP: Esse tipo de approach é um tipo de coisa específica. Você está totalmente centrado em seu público alvo. Isso te ajuda muito a crescer. Esse tipo de ação é algo que várias empresas estão utilizando como forma de otimizar o investimento em marketing. Aí você tem um face a face com o consumidor muito maior. É a oportunidade de experimentar o equipamento.

ME: Em tempos de crise, a pergunta não pode ser esquecida. A BRP sentiu ou acredita que vá sentir os efeitos da instabilidade financeira mundial?

AP: Nós sentimos sim, principalmente nos modelos top de linha. Com os modelos mais básicos ainda não sentimos. Jet-skis, por exemplo, mantiveram a forma. Já os quadriciclos passaram por uma mudança. E aí você precisa fazer ajustes no planejamento. Em 2008, você pensa em vender uma quantidade, e no fim você precisa mudar isso e tem de colocar a quantidade máxima no mercado. São algumas manobras criativas que fazem a diferença nessas horas.