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Sacha Mamede

Diretor de marketing do Bahia fala sobre desafio de gerir clube fora da elite e contraste com boa fase do rival Vitória

Rodrigo Capelo Publicado em 21/05/2010, às 08h42 - Atualizado às 11h42

Ausente da primeira divisão do futebol brasileiro desde 2003, o Esporte Clube Bahia não conquista um título relevante desde a Copa do Nordeste de 2002. Essa foi a situação encontrada por Sacha Mamede, profissional que assumiu em abril deste ano o departamento de marketing da equipe tricolor.

Com experiência nas áreas de finanças e entretenimento da Rede Bahia, de Salvador, Sacha assegura não ter sido ?uma escolha à toa?. ?Conheço bem o esporte porque já trabalhei na área, e posso contribuir para profissionalizar o clube?, disse ele em entrevista exclusiva à Máquina do Esporte.

Ao chegar ao Bahia, Mamede deparou-se com situações adversas, como a ausência de um banco de dados integrado. Ele trabalha, atualmente, para estruturar o time em busca de dois grandes objetivos: a primeira divisão e os títulos.

A tarefa complica-se devido ao momento vivido pelo maior rival, o Vitória, atual campeão baiano, finalista da Copa do Brasil e integrante da Série A do Campeonato Brasileiro. ?Iremos equilibrar as contas, chegar à primeira divisão e equiparar ao nosso adversário?, projeta o diretor.

Para tanto, Mamede tem renegociado contratos de patrocínio e planejado ações de marketing para ampliar as receitas, e tem obtido algum sucesso. O aporte máster do clube, com a construtora OAS, foi reajustado em cerca de 30% e ampliado para novo contrato de dois anos. O Bahia ainda negocia com outras empresas para ocupar as propriedades restantes, mas enfrenta dificuldades naturais para um time que não figura no principal plano nacional há algum tempo.

Confira a seguir íntegra da entrevista:

Máquina do Esporte: Você assumiu o Bahia há relativamente pouco tempo. Quais foram os pontos positivos e negativos que encontrou no clube?

Eu percebi que o Bahia estava sem alguns princípios básicos de empresa profissional, de clube profissional. Não tinha alguns procedimentos básicos de metodologia, ordenamento de processos. Também há falta de integração de informações, de um banco de dados. E a situação que o Bahia se encontra também é negativa, sem ganhar um campeonato há um bom tempo. O clima de expectativa por uma conquista existe, a torcida está impaciente e demanda uma campanha positiva do clube, o maior vencedor da história do Norte e Nordeste. O principal desafio é dar essa resposta à torcida. Temos de melhorar a parte de futebol para que voltemos a conquistar as glórias do passado. Como ponto positivo, temos a torcida. Guardadas as proporções, ela parece muito com a do Flamengo e é muito fiel. Se pegar as campanhas, você vê que o Bahia foi líder em vários anos como clube que põe a torcida no estádio. É o principal ativo do clube e também o ponto mais positivo.

ME: Com a ausência do Bahia na primeira divisão desde 2003, como você trabalha para estruturar o caixa e compensar os anos de afastamento da elite do Brasileiro?

Desde que o presidente Marcelo Guimarães assumiu, ele vem procurando deixar a política de lado e profissionalizar o clube. Ele tem uma visão vanguardista em relação a isso porque o Brasil vai receber os maiores eventos do mundo nessa década. Então, quem não se profissionalizar fica para trás. Ele colocou como premissa básica contratar os melhores profissionais para dar suporte ao Bahia. Com o tempo, ele contratou pessoas de mercado. As duas últimas foram eu para o marketing e o Paulo Angioni [ex-superintendente do Vasco] para o futebol. Estamos arrumando a casa para fazer um plano, dar oxigênio financeiro ao Bahia, para poder trabalhar com caixa positivo. Honrando compromissos, pagando em dia, mudando o que se vê hoje em todo o Brasil.

ME: Qual foi, em porcentagem ou vezes, a valorização dos patrocínios de uniforme do Bahia da temporada passada para a atual? Existe mais alguma cota a ser vendida?

A OAS [Gafisa, construtora], nossa patrocinadora máster, fechou apenas pelo Brasileirão do ano passado. Se não me engano, o Bahia esteve sem máster até o meio do campeonato. Eles gostaram tanto do acordo que os valores que tínhamos fechado foram elevados em 30%, 40%. Pela satisfação do cliente, também fizemos um contrato mais longo, de dois anos, porque o recall do patrocínio é muito bom. Estamos em negociação com um banco para colocar a marca na camisa e também estamos conversando com uma seguradora para outra parte do uniforme.

ME: Além do sócio-torcedor e dos patrocínios, como o marketing do Bahia tem trabalhado para ampliar receitas? O departamento de marketing tem algum orçamento base para eventos, produtos ou parcerias?

A falta de integração dos dados atrapalha muito, então estamos arrumando a casa primeiramente. Vamos usar muito a internet, levar produtos para o estádio, ?resetorizar? o Pituaçu [Estádio Roberto Santos], implantar o camarote VIP, algo parecido com o que existe no Pacaembu, lançar produtos mobile, adotar nomes de jogadores em camisas, com numeração fixa, para medir o recall que cada jogador traz em relação às vendas. Enfim, são algumas ações de curto e médio prazo.

ME: O Vitória, além de ter conquistado as últimas edições do Campeonato Baiano, chegou neste ano à decisão da Copa do Brasil e está na primeira divisão nacional. Como o Bahia, que disputa a Série B, faz para evitar que essa distância se reflita em perda de mercado ou torcida?

Essa é uma coisa realmente cruel com os times da Série B, mas a gente está lutando para que isso mude. A diferença de patrocínio da A para a B é gritante. No caso do Bahia, já existe um hiato de muito tempo na Série A e isso reflete diretamente em nossos caixas. Estamos arrumando a casa, nos estruturando, para fazer uma projeção de médio e longo prazo e utilizar as armas que a gente possui. A torcida é a principal. Contar com o apoio deles para tentar equilibrar as contas, chegar à Série A, voltar à realidade equiparada em relação ao principal rival, o Vitória, e ter um valor de repasse maior.

ME: Por que o clube decidiu procurar Duda Mendonça para ajudar o marketing?

Na verdade, o presidente fez esse convite enquanto eu ainda não estava aqui, mas me contou que foi algo que partiu do Duda, torcedor do Bahia. E é algo muito interessante para se falar, porque existe uma colaboração geral, uma intenção de ajudar o clube, independentemente de qualquer coisa. É claro que todos pensam no dinheiro, mas todo mundo que a gente encontra quer ajudar o Bahia de alguma forma. O Duda foi uma dessas pessoas com sentimento. Partiu mais dele do que do próprio Bahia, e foi muito importante para a gente. Valorizamos muito a adesão por parte dele.

ME: Quais são os planos do Bahia para o período da Copa do Mundo?

O Bahia vai jogar a Copa Nordeste, retomar essa competição, e fazer uma série de jogos em uma temporada interna.

ME: Como está a investida do Bahia na Stock? Já há resultados sobre isso?

Neste ano estamos na categoria Mini Challenge, com um Mini John Cooper. É uma categoria subsequente à Stock Car. Tivemos uma corrida, ficamos em terceiro lugar, e estamos indo disputar uma prova na Espanha. A marca do Bahia já está transcendendo o Atlântico, representando o Brasil. É uma coisa muito nova. Começou esse ano, com a primeira corrida. A expectativa é que a ativação da marca aconteça mesmo em Salvador, na prova que teremos aqui.

ME: O Bahia tem planos de investir em outros esportes?

Nosso plano é retomar os esportes olímpicos. Aqui já há uma referência muito forte no futsal, basquete, vôlei. Como vamos receber os dois maiores eventos, e um deles é a Olimpíada, vamos investir nisso. O Bahia sempre foi muito forte, mas vamos retomar, buscar leis de incentivo, algo que está disponível no ministério do esporte e vamos buscar.