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Trevor Edwards

Trevor Edwards, VP global de marca da Nike, fala sobre os desafios da líder do mercado de futebol e da importância do Brasil para a empresa

Erich Beting Publicado em 26/03/2010, às 20h04

Inovação, ?adoção? de uma história e apoio na seleção brasileira. Esses três ingredientes foram fundamentais para, no início deste ano, a Nike se tornar a marca líder em vendas no futebol, acabando com quase 60 anos de hegemonia da Adidas.

Para a marca americana, o feito representa um caminho até certo ponto ?natural? de seu trabalho dela dentro do esporte. Com quase 40 anos de história, a Nike já havia se tornado a número 1 entre as marcas esportivas, mas faltava ser a líder também no esporte número 1 do planeta.

A ?vitória? é creditada a dois fatores primordiais. O primeiro é a contínua filosofia da empresa de investir na inovação. O segundo foi a compra, ainda em 2007, da Umbro. Ao ?tomar emprestada? a história da fabricante inglesa, a Nike conseguiu algo que lhe faltava no futebol. Uma conexão maior com o passado.

?Quando você coloca tudo isso junto, pode se tornar apto a ser o número 1?, afirma Trevor Edwards, vice-presidente global de marca da Nike. Em entrevista exclusiva à Máquina do Esporte, concedida no começo do mês em evento da empresa em Londres, Edwards falou sobre os desafios da Nike agora que é a líder no futebol.

Ele também falou sobre a influência e a importância da seleção brasileira nessa história recente da marca dentro do universo do futebol.

Leia a seguir trechos da entrevista com o executivo:

Máquina do Esporte: O que a Nike precisou fazer para se tornar a fabricante de material esportivo número 1 no mercado de futebol?

Trevor Edwards: Obviamente estamos há apenas alguns anos no mercado do futebol e o progresso e evolução que conseguimos foram bem impressionantes. Nós temos crescido neste universo graças a um trabalho constante para trazer inovação aos consumidores. Ao nos propormos em trazer inovação, temos de trabalhar com alguns dos melhores atletas. Essas duas coisas combinadas nos permitem termos uma grande história no futebol. Mas também, nesse caminho, nós tivemos a compra da Umbro, que também é uma marca muito importante no futebol. Quando você coloca tudo isso junto, pode se tornar apto a ser o número 1.

ME: E o que representa para a Nike conseguir passar a Adidas, que liderou o mercado por quase 60 anos?

TE: Acho que nós estivemos sempre disputando cabeça a cabeça essa liderança. Mas ser o líder não é algo que você tem, é algo que você ganha. E precisa ganhar todo dia. Então nós conseguimos isso ao trazer inovação para a chuteira, para o trabalho com as crianças e tudo o mais.

ME: Como será o trabalho com a Umbro?

TE: Nós vemos a situação como se fôssemos primos. São marcas com suas próprias identidades. Então elas funcionam de formas independentes. Com fábricas diferentes, estratégias diferentes. Uma coisa interessante da Umbro é que ela é uma marca com uma história incrível no futebol. Eles estão nesse mercado há muitos e muitos anos, e têm muita história para contar. Nós achamos que isso é uma oportunidade para trazer essa cultura para a marca Umbro, que tem de preservar essa questão do lifestyle, da cultura do futebol. E nós temos na Nike um outro tipo de história, que é focada na performance e na inovação tecnológica.

ME: Qual a importância do projeto Nike Football Plus (um site com planilha de treinamento em futebol para o consumidor) para a empresa?

TE: É um passo importante. Nós não vendemos apenas o produto, vamos além dele, oferecemos uma experiência para o consumidor. Eles compram uma chuteira para fazerem mais, para jogarem melhor.

ME: É como se vocês vendessem um estilo de vida, e não apenas o produto?

TE: Sim, tenho de concordar com isso. Nós pensamos isso como um completo estilo de vida. Se você quer ser um jogador de futebol, tem de ir a campo, tem de treinar para melhorar. Por outro lado, se você é apaixonado pelo esporte, quer consumi-lo o tempo todo, quer ter tudo junto a você o tempo todo, que represente essa paixão. Quando fazemos isso, pensamos em toda essa cadeia.

ME: A Nike tem sua história no futebol atrelada à seleção brasileira. Em 1998 e 2006 o time nacional protagonizou as campanhas da marca para a Copa do Muno. Quão importante será a seleção para este ano?

TE: Nós ainda estamos trabalhando a estratégia completa, mas a nossa parceria com o Brasil é de longa data, é uma conexão da marca com o estilo brasileiro de jogar futebol. Nós vamos continuar a trazer essa relação em nossa comunicação. Se ela será com o time brasileiro inteiro, ou com parte dele, ainda não sabemos. Mas você pode sempre esperar que terá o Brasil envolvido, porque ele é uma fonte de inspiração para qualquer um que ama futebol. O fato é que os jogadores brasileiros estarão na nossa campanha. Como? Ainda não sabemos...

ME: As ausências de Ronaldo e Ronaldinho, que não devem fazer parte dessa seleção que vai à Copa, complicam a estratégia da Nike, que sempre esteve focada nesses atletas? Como a empresa tem trabalhado para resolver isso?

TE: Nós não nos envolvemos na escalação do time, não interferimos em quem vai jogar ou não. Para nós é mais como podemos pensar em algo voltado para o futebol criativo e divertido da seleção brasileira. É isso que esperamos pelo jeito do Brasil jogar.

ME: Você acha que Robinho e Luís Fabiano poderiam substituir os dois como garotos-propagandas da marca?

TE: Os jogadores são únicos. O que Ronaldo fez foi único e inacreditável. O que Ronaldinho faz é único e inacreditável. O que Robinho faz é único e inacreditável, mas de forma diferente... É assim que olhamos, aprendemos com cada um de nossos atletas. E o Brasil é um país surpreendente com isso. Do nada surge um novo jogador, impressionante, maravilhoso.

ME: Já ouviu falar do Neymar?

TE: Claro, ele é jogador da Nike!