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Sindicato das jogadoras da NWSL abre queixa contra liga por imposição de nova regra salarial

Entidade alega acordo coletivo foi violado por conta de mecanismo criado para tentar manter Trinity Rodman nos Estados Unidos

Trinity Rodman em ação pelo Washington Spirit em partida da NWSL - Sam Pittman / Washington Spirit

A Associação de Jogadoras da NWSL (NWSLPA) realizou uma queixa contra a National Women’s Soccer League (NWSL). O sindicato apresentou uma queixa alegando violação do acordo coletivo de trabalho e da legislação trabalhista federal por da regra de “Jogadora de Alto Impacto”.

A nova definição é uma manobra financeira desenhada pela liga em dezembro para tentar frear a saída de talentos para a Europa, por conta dos maiores salários, e renovar o contrato da atacante Trinity Rodman, estrela da seleção norte-americana que atua pelo Washington Spirit.

A ação do sindicato busca a revogação imediata da medida e exige que a NWSL negocie quaisquer alterações na remuneração das atletas e indenize aquelas afetadas pela decisão unilateral.

O catalisador do debate é o futuro de Trinity Rodman. A jogadora, filha do ex-jogador de basquete Dennis Rodman, tem contrato expirado com o Washington Spirit e pode deixar a liga.

Regra

A regra que gerou a polêmica funciona como um mecanismo de exceção ao teto salarial, similar ao conceito de “Jogador Designado” da MLS.

Na prática, a proposta da NWSL permite que as franquias ultrapassem o teto salarial da equipe em até US$ 1 milhão para acomodar os salários de grandes estrelas, sem que esse valor impacte no limite de orçamento padrão.

No entanto, há diferenças em relação ao modelo masculino. Enquanto na MLS os astros, como Lionel Messi, podem assinar contratos com valores ilimitados, a regra da NWSL impõe um teto para o excedente.

Além disso, a liga estabeleceu critérios específicos, controlados por ela mesma, para definir quem se qualifica como uma “Jogadora de Alto Impacto”. Para o sindicato, as definições são restritivas a ponto de excluir estrelas da competição, enquanto beneficia poucas jogadoras.

Impasse

A posição da NWSLPA, liderada pela diretora executiva Meghann Burke, é de que a liga não pode inventar um sistema paralelo de compensação fora do que foi negociado coletivamente.

O sindicato argumenta que, se há US$ 1 milhão disponível para investimento por equipe, esse valor deveria ser simplesmente adicionado ao teto salarial geral, que será de US$ 3,5 milhões em 2026.

Isso daria aos clubes a flexibilidade de gastar o montante como achassem melhor para a competitividade do elenco, em vez de ficarem reféns de uma regra focada em nomes específicos.

A NWSL, por sua vez, defende a medida como uma ferramenta para elevar o perfil comercial e competitivo do campeonato frente ao agressivo mercado europeu, que já tirou da liga nomes como Naomi Girma e Alyssa Thompson para a temporada de 2025.

A organização afirma ter consultado o sindicato antes do anúncio oficial em 23 de dezembro, uma alegação que a NWSLPA contesta veementemente, afirmando que suas contrapropostas foram ignoradas.

Com a formalização da queixa, a NWSL tem 14 dias para responder. Caso o impasse não seja resolvido, a disputa será encaminhada para arbitragem.