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Atlético-MG detalha funcionamento do Conselho da Massa para aproximar SAF e torcida

Órgão terá maioria dos membros eleitos por votação popular e buscará debater experiência do torcedor e temas estratégicos do clube

Torcedores do Atlético-MG acompanham partida do clube na Arena MRV - Daniela Veiga / Atlético-MG

O Atlético-MG divulgou as diretrizes para a implementação do Conselho da Massa, novo órgão de caráter consultivo desenhado para formalizar e estruturar o diálogo entre a administração da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e a torcida.

A iniciativa busca criar um canal permanente de escuta para auxiliar na tomada de decisões relativas à experiência do consumidor e ao relacionamento com o clube.

“O Conselho nos ajudará a construir decisões mais próximas. É um passo concreto para fortalecer uma cultura de participação, pertencimento e diálogo permanente, compreendendo percepções, demandas e expectativas da Massa”, disse Pedro Daniel, CEO do Atlético-MG.

Composição e governança

O Conselho da Massa será formado por dez membros, com mandato de um ano. A estrutura foi planejada para garantir a pluralidade de representação: nove conselheiros serão eleitos democraticamente pela própria torcida e um será indicado diretamente pelo clube.

As cadeiras eletivas foram distribuídas entre diferentes perfis de público, contemplando o programa de sócio-torcedor Galo Na Veia, torcidas organizadas, consulados e embaixadas, permissionários de cadeiras cativas ou camarotes da Arena MRV, além de jornalistas ou influenciadores digitais que cobrem o dia a dia da equipe.

Com a intenção de assegurar a idoneidade e a qualificação dos participantes, o Atlético-MG estabeleceu critérios rígidos de elegibilidade. Todos os candidatos passarão por validação de antecedentes criminais e análise de histórico de punições administrativas no clube.

Dependendo da categoria, serão exigidos requisitos como tempo mínimo de associação ou atividade ininterrupta de três anos, além de frequência comprovada em pelo menos 60% dos jogos realizados na Arena MRV desde a inauguração.

No caso das torcidas organizadas, apenas grupos registrados junto à Polícia Militar de Minas Gerais poderão indicar representantes.

Processo eleitoral e atuação

A seleção dos membros ocorrerá por meio de votação no SuperApp do Galo, restrita a sócios ativos do programa Galo Na Veia. Cada votante poderá escolher um candidato por categoria. Torcidas organizadas e consulados farão processos internos prévios para definir seus indicados à eleição geral.

O funcionamento do órgão prevê no mínimo quatro reuniões ordinárias anuais, que poderão ocorrer em formato híbrido, mesclando presencial e on-line, preferencialmente na Arena MRV. A pauta dos encontros será dividida entre temas propostos pelos conselheiros e assuntos levados pela diretoria do clube.

Entre as atribuições do Conselho da Massa está o debate sobre visão estratégica, política de ingressos, identidade visual, projetos sociais, internacionalização e governança.

O clube ressaltou que o foco do grupo será em demandas coletivas e estruturais, não atuando sobre casos individuais. Todas as atas e informações sobre os membros serão publicadas no site do Atlético-MG.

Tendência global

A criação do conselho pelo Atlético-MG ocorre em um momento no qual a proliferação das SAFs trouxe profissionalização e investimentos, mas também riscos de descaracterização e fragilidade institucional.

A participação estruturada da torcida na governança, conforme apontado por Romulo Macedo, colunista da Máquina do Esporte, emerge como o mecanismo de proteção mais eficiente contra gestões temerárias.

“Incluir formalmente o torcedor na governança corporativa não representa um gesto romântico ou simbólico, e sim uma estratégia inteligente de gestão de risco e garantia de sustentabilidade”, afirmou Macedo, mestre em Gestão da Experiência do Consumidor e especialista em Gestão Esportiva.

LEIA MAIS: O torcedor na governança das SAFs: Uma estratégia de sobrevivência para o futebol brasileiro

O modelo adotado pelo Galo se assemelha aos “Fan Advisory Boards”, fóruns consultivos já consolidados em ligas como Premier League e MLS. Ao estabelecer um canal formal de escuta, o clube se antecipa a uma necessidade estratégica de sustentabilidade, ao garantir que a voz da arquibancada atue como “um sistema de freios e contrapesos”.

A experiência global indica que, sem essa integração, a transformação em empresa pode degenerar em crises financeiras ou na perda de identidade, ameaçando a própria existência da instituição a longo prazo.