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Bahia projeta R$ 300 milhões em CT, e Mirassol defende estrutura como base da gestão

Executivos detalharam investimentos no Summit CBF Academy; Marcelo Teixeira, presidente do Santos, projetou o uso da marca Pelé

Alcebíades Antunes Júnior, o Juninho, vice-presidente de futebol do Mirassol, e Raul Aguirre, CEO da SAF do Bahia, durante debate no Summit CBF Academy - Divulgação

Alcebíades Antunes Júnior, o Juninho, vice-presidente de futebol do Mirassol, e Raul Aguirre, CEO da SAF do Bahia, durante debate no Summit CBF Academy - Divulgação

A importância do investimento em estrutura física como pilar para o sucesso esportivo e financeiro foi destacada por Raul Aguirre, CEO da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Bahia, e Alcebíades Antunes Júnior, o Juninho, vice-presidente de futebol do Mirassol, durante debate no Summit CBF Academy, na última quarta-feira (26), em São Paulo (SP).

O painel, mediado por Hélio Cury, presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), também reuniu, Marcelo Teixeira, presidente do Santos, que comentou sobre a aquisição da marca Pelé pela NR Sports, empresa de Neymar, principal jogador do clube.

Juninho, dirigente do Mirassol, foi enfático ao defender que o patrimônio físico deve anteceder as contratações de alto custo no planejamento do clube. O executivo argumentou que o desperdício de recursos ocorre na montagem de elencos milionários, e não na construção de instalações.

“A estrutura nunca é cara. O que é caro no futebol é o jogador que a gente erra. E a gente erra muito. Fizemos várias contratações e erramos demais”, admitiu o dirigente, cujo time é a principal surpresa do Campeonato Brasileiro, ocupando a quarta posição, que garante vaga direta na Libertadores 2026.

“A estrutura não é cara. O futebol tem que se iniciar pela estrutura, pelo pagamento, por tudo o que for tratado com os profissionais ser cumprido”, defendeu.

Na mesma linha, Aguirre destacou o aporte financeiro que o Bahia está realizando para modernizar suas instalações. O executivo falou sobre o projeto do novo Centro de Treinamento (CT) do Bahia, localizado na Região Metropolitana de Salvador (BA).

“O Bahia acabou de anunciar um novo Centro de Treinamento em Camaçari, um investimento de cerca de R$ 300 milhões. São 560 mil metros quadrados, onde vão estar todas as categorias profissionais, o feminino e a base, incluindo a iniciação”, detalhou o executivo.

Pelé

Marcelo Teixeira, presidente do Santos, abordou a estratégia de internacionalização da marca do clube e a busca por novas receitas.

O dirigente comentou a aquisição dos direitos sobre a marca Pelé pela NR Sports, empresa responsável pela gestão de imagem de Neymar, e as tratativas para licenciamento e exploração conjunta com o time da Vila Belmiro.

“O Santos, junto com a NR Sports, readquiriu a marca Pelé”, afirmou Teixeira, contradizendo declaração do próprio pai de Neymar, que afirmou que o clube não participou das negociações.

“Isso é importantíssimo porque é o retorno não apenas de uma marca brasileira, de um atleta consagrado mundialmente, mas até então ele era tratado apenas como uma questão comercial. E agora ele será tratado principalmente com maior carinho e relevância numa identidade natural”, comentou Teixeira.

O mandatário santista também revelou planos para o período da Copa do Mundo, de olho na expansão da marca do Santos no exterior.

“Queremos aproveitar a paralisação do Campeonato Brasileiro na Copa do Mundo para fazermos jogos no exterior, possivelmente nos Estados Unidos ou na Espanha, e com isso intensificamos o trabalho de aumentar nossas receitas”, previu.

Marcelo Teixeira, presidente do Santos, durante debate no Summit CBF Academy - Divulgação
Marcelo Teixeira quer trabalhar a marca Pelé em parceria com a NR Sports – Divulgação

Categorias de base

A formação de atletas foi apontada pelos dirigentes como essencial para a sustentabilidade econômica.

Aguirre, do Bahia, ressaltou que a base requer um tempo de maturação e que não adianta tentar acelerar o processo. Juninho, do Mirassol, por sua vez, apontou um problema comportamental externo que tem afetado o desenvolvimento de jovens jogadores: a interferência familiar.

“Estamos com um problema seríssimo hoje no futebol brasileiro: os pais estão atrapalhando muito os filhos. É uma cobrança horrível. Temos o nosso CT todo fechado. Os pais não podem entrar. Eles pegam a escada, sobem e xingam o filho lá de cima”, contou o dirigente.

“É um negócio que está muito feio. Hoje, o pai está vendo o filho como o sustento da família”, relatou.

Gestão

Os dirigentes aprovaram o novo calendário e o Fair Play Financeiro, anunciado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) durante o congresso. Aguirre classificou o modelo proposto como “fluido”, argumentando que ele organiza o cenário para o cumprimento de compromissos sem travar investimentos de quem deseja aportar recursos.

Para Juninho, a gestão financeira rigorosa é o diferencial que permite ao Mirassol, time de uma cidade de apenas 65 mil habitantes, competir em alto nível contra os principais clubes do país.

“O Mirassol não tem uma dívida de imposto, de nada. Paga tudo religiosamente em dia e é um time pequeno. Por que os outros não pagam? É só gerir como uma empresa”, ensinou.