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Futebol / Opinião

Black Friday mostra poder ignorado pelo esporte

Erich Beting Publicado em 27/11/2020, às 08h46

A transmissão dos jogos de futebol no meio de semana marcou uma espécie de novidade para o mercado brasileiro. Promoções ligadas ao Black Friday permearam os jogos exibidos na televisão.

O uso da audiência do futebol para realizar ações de venda é algo pouco comum no mercado brasileiro, mas deveria ser extremamente comum. É assim que se baseia o mercado mais maduro e desenvolvido do mundo, que é o americano. Por lá, o esporte é usado como ferramenta de vendas. Por aqui, porém, falta a visão de que o esporte é ótimo vendedor. De qualquer produto.


Curiosamente, nosso mercado varejista é rápido em importar costumes dos EUA para aumentar o consumo por aqui. Em poucos anos, não duvidemos de que, na quinta-feira anterior ao Black Friday, teremos nosso Dia de Ações de Graças, com peru e tudo.

Por que, então, o esporte não consegue adotar esse mesmo pensamento?


Durante a pandemia, com o esporte em quarentena, as lives se tornaram uma válvula de escape para tentar conectar o fã com atletas e modalidades. Voltamos, agora, à época das competições. E o que o mercado tem feito com esse torcedor?

Continuamos a relegar para um segundo plano a comunicação contínua com o fã, independente do dia de evento. Alguns clubes promoveram suas plataformas de streaming e buscaram criar aplicativos que trazem mais subsídios para conhecer quem é o torcedor. Mas nada, absolutamente nada, foi feito para se criar uma relação de vendas.


Por que, então, as marcas aproveitam o esporte para comunicar suas ofertas de Black Friday? Oras, é mais do que conhecido, por todos, que o esporte é separado em tribos. Grupos específicos, com hábitos específicos de consumo. A comunicação direta com um tipo de público é muito mais eficiente. Ainda mais quando o feriado cai numa rodada com alto poder de atrair a audiência.



O esporte no Brasil historicamente se afastou de ações no varejo por ter extrema dificuldade em mostrar seu potencial de vendas para os parceiros. A entrada de marcas de peso, como Casas Bahia e Ford, em ações típicas do varejo na transmissão esportiva mostra que tem jogo dentro desse mercado.


Com milhões de seguidores, o esporte precisa se esforçar para mostrar que é um meio de vendas para as marcas. A Black Friday prova isso.