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Futebol / Bicampeonato

Bola consagra gestão de risco do Flamengo

Erich Beting Publicado em 26/02/2021, às 11h35

Imagem Bola consagra gestão de risco do Flamengo
Flamengo foi bi-campeão brasileiro na noite de quinta-feira (25).
Crédito: Reprodução

O Flamengo conseguiu terminar a temporada de 2020 com a conquista do bicampeonato brasileiro, obtida na noite desta quinta-feira (25), mesmo com o time tendo sido derrotado em campo pelo São Paulo. A vitória do Brasileirão pelo segundo ano seguido consagra o estilo agressivo de gestão do clube adotado desde o começo de 2019 por Rodolfo Landim.

Depois de meia década de ajustes financeiros sob a batuta de Eduardo Bandeira de Mello, o Rubro Negro assumiu uma tática diferente. Agora, faz investimentos altos na contratação de jogadores consagrados, apostando que o bom desempenho em campo vá ajudar a cobrir os altos custos assumidos. 

A conquista em campo renderá R$ 33 milhões em premiação dada pela CBF, sem contar o valor a ser recebido da Globo e dos patrocinadores pela posição alcançada, o que deve adicionar cerca de R$ 50 milhões para os cofres do clube. 

O montante vai aliviar a panela de pressão que tem sido o fluxo de caixa do Rubro Negro, que em 9 de fevereiro, quando a conquista do Brasileirão ainda era uma remota possibilidade, aprovou a contratação de um empréstimo de R$ 35 milhões, usados para cobrir as despesas que se aproximavam naquele mês e que não havia saldo no caixa para honrar os compromissos.

A justificativa dada pelo Flamengo para recorrer ao empréstimo foi a pandemia, que impediu o faturamento de R$ 100 milhões em bilheteria, como tinha sido projetado no final de 2019. 

O problema é que a medida de ir ao banco e tomar empréstimos tem se tornado cada vez mais recorrente. Há um ano, mesmo com o time jogando em estádios lotados o Campeonato Carioca, a Libertadores e sendo campeão da Recopa Sul-Americana, foi preciso recorrer ao banco Daycoval para pedir R$ 50 milhões e aliviar o caixa. 

Em setembro, pouco depois de fechar o patrocínio com o banco BRB, o Flamengo tomou emprestado os mesmos R$ 50 milhões, a juros menores. Usou a verba para quitar o compromisso com o Daycoval e, assim, conseguir reduzir o custo mensal com a dívida. Um mês antes, a diretoria já tinha recorrido à linha de crédito aberta pela CBF sem juros para os clubes. Pegou R$ 12 milhões da entidade, que tiveram de ser quitados até o final de 2020.

Se, em 2019, a conquista nacional era uma forma de reconduzir o Flamengo ao topo do país e aumentar a estima do torcedor, agora a vitória se torna importante não apenas pelo aspecto esportivo. Além de recorrer a empréstimos para manter o fluxo de caixa organizado, o clube tem colocado metas ambiciosas para a sua equipe, o que pode representar mais perigo para a saudabilidade financeira. 

Em 2019, o Flamengo projetou que seria, no ano seguinte, pelo menos vice-campeão nacional, semifinalista da Libertadores e finalista da Copa do Brasil. Dessas metas, só alcançou e superou a posição no Brasileirão, mas a derrota em campo nos outros torneios representou cerca de R$ 100 milhões a menos do que havia sido projetado para faturar.

Para 2021, a ambição Rubro Negra segue em alta. A previsão orçamentária de faturar R$ 953 milhões colocou, nesse bolo, parte da premiação da Libertadores 2020, que não se concretizou, além de estipular que o clube chegará na semifinal da competição internacional e nas finais da Copa do Brasil. 

É, mais uma vez, uma meta arriscada. E que depende do imprevisível resultado dentro de campo para funcionar. Depender tanto da bola é o maior desafio que o Flamengo terá de administrar em 2021.