O Fifa Clearing House, sistema estabelecido para calcular e distribuir a compensação por formação de atletas, registrou a geração de quase US$ 1 bilhão em repasses direcionados a equipes que investem nas categorias de base.
Do montante total apurado no período, mais de US$ 639 milhões já foram efetivamente repassados aos caixas dos clubes por intermédio da sede da entidade, em Paris.
A estruturação do mecanismo tem como foco centralizar e garantir a segurança das transações financeiras envolvendo os direitos de formação ao redor do planeta, para trazer eficiência e clareza aos processos de pagamentos solidários.
“Esses números atestam o papel da Fifa Clearing House no fortalecimento do ecossistema de desenvolvimento do futebol, garantindo que os clubes recebam a compensação financeira que merecem por nutrir as futuras gerações de jogadores”, disse Gianni Infantino, presidente da Fifa.
“Com o crescimento das transferências em todo o mundo, a Câmara de Compensação permanece um pilar do compromisso da Fifa em aprimorar a transparência financeira, aumentar a confiança no sistema internacional de transferências e recompensar o investimento no desenvolvimento de jovens talentos no futebol global”, seguiu.
O sistema de compensação financeira para clubes formadores existe desde o início dos anos 2000, sendo gerido desde 2022 pela Clearing House.
Impacto mundial
O relatório aponta que as transferências de 530 atletas convocados para a Copa do Mundo 2026 foram responsáveis por movimentar cerca de US$ 221 milhões em incentivos ao longo de suas carreiras. Esse volume financeiro beneficiou equipes ligadas a jogadores de 46 das 48 nações participantes da competição.
No recorte por países, os dois finalistas do mundial, Argentina e Espanha, somaram 20 atletas que originaram pagamentos pelo sistema da federação. A Croácia destacou-se com 20 de seus 26 convocados gerando verbas, seguida por Colômbia e Equador, com 19 e 18 nomes, respectivamente.
O ranking segue com a Costa do Marfim, com 17, além de Japão, Suíça e Holanda, com 16 cada. O mercado holandês originou US$ 16,5 milhões em incentivos devido às negociações dos convocados.
As dez nações que mais captaram recursos de formação reúnem federações filiadas à Uefa, Conmebol e Confederação Africana, incluindo países como Brasil, Portugal, França, Bélgica, Alemanha, Uruguai e Senegal.
Os dados mostram ainda que, em média, 63% das verbas originadas por atletas de seleções retornam para os clubes de seus países natais, embora existam variações expressivas. Os formadores da República Tcheca, por exemplo, retiveram 92,4% dos valores gerados por seus jogadores. Argentina e Alemanha também apresentaram índices elevados, com 89,8% e 88,6%.
No outro extremo, mercados como Senegal, Argélia e Estados Unidos viram a maior parte dos repasses ser direcionada a equipes de outras federações, mantendo taxas de retenção local de apenas 15,3%, 14% e 11,5%, respectivamente.
Concentração
O impacto individual de transferências de alto valor reflete diretamente na concentração de repasses. O grupo formado pelos dez jogadores que mais geraram recursos foi responsável por destinar US$ 34,3 milhões a seus clubes de origem.
A lista inclui Neymar, o argentino Enzo Fernández, Manuel Ugarte, Moisés Caicedo, João Félix, Kai Havertz, Michael Olise, Min-jae Kim, Viktor Gyokeres e o Malik Tillman.
Apesar da relevância dos nomes que disputaram a Copa do Mundo 2026, o sistema de compensação é sustentado principalmente pelas negociações cotidianas do mercado.
O balanço evidencia que as transferências de mais de 10 mil atletas que não participaram do Mundial da Fifa foram responsáveis por gerar US$ 768 milhões adicionais desde a inauguração do mecanismo.
