Máquina do Esporte
Facebook Máquina do EsporteTwitter Máquina do EsporteYoutube Máquina do EsporteLinkedin Máquina do Esporte
Futebol / Pressão

CBF implode com saída de Feldman e acirra briga por poder com clubes

Erich Beting Publicado em 18/06/2021, às 10h48

Imagem CBF implode com saída de Feldman e acirra briga por poder com clubes

A temperatura dentro da panela de pressão em que se transformou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) neste mês aumentou ainda mais nesta quinta-feira (17) com a decisão tomada pelo presidente interino da entidade, Antônio Carlos Nunes, de demitir o secretário geral, Walter Feldman.

A demissão é uma tentativa de acalmar os ânimos dos 20 clubes da Série A, que aproveitaram a queda de Rogério Caboclo da presidência da entidade, no último dia 6 de junho, para brigarem por maior poder dentro da confederação.

Feldman foi ejetado do cargo após a desastrosa reunião com os clubes na última terça-feira (15), quando alguns presidentes foram até a sede da entidade entregar uma carta assinada por 19 dos 20 clubes da Série A com um pedido de mudança estatutária para terem maior peso no voto dentro das assembleias da CBF, além do reconhecimento da criação de uma liga que gerencie o Campeonato Brasileiro.

Os relatos são de que, na reunião, em vez de conseguir apaziguar os ânimos, Feldman gerou ainda mais insatisfação entre os clubes, o que fortaleceu a união entre eles para promoverem uma mudança no sistema.

Para o lugar de Feldman foi alçado Eduardo Zebini, que desde abril do ano passado, quando deixou a liderança do Fox Sports no Brasil, era diretor de mídia da CBF. Profissional egresso de empresas de empresas de comunicação como Band, Record e Fox Sports, Zebini tem grande trânsito com os clubes, já que negociava a aquisição de direitos de transmissão e geralmente conversava com os presidentes dos times. A expectativa, assim, é que o diálogo com os dirigentes fique mais aberto e, dessa forma, a crise consiga ser contornada o quanto antes. Já na quarta-feira (16), Zebini foi o executivo da CBF que acompanhou a visita do presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, à sede da entidade. Feldman, que geralmente ciceroneava as visitas, não participou do encontro.

Em 2020, Rogério Caboclo (esq.), então presidente da CBF, contratou Eduardo Zebini (dir.) para ser diretor de mídia da entidade
CBF/Divulgação

Em meio a esse cenário, a CBF ainda julga o futuro de Rogério Caboclo, afastado desde o último dia 6 por denúncias de assédio sexual e moral contra uma funcionária. Dentro da entidade já é dado como certo o afastamento definitivo do dirigente, que ficou ainda mais isolado após a descoberta de escutas telefônicas clandestinas instaladas em diversas salas do prédio da CBF.

Apesar das mudanças, os clubes seguem intransigentes, exigindo maior poder nas tomadas de decisão da CBF. Hoje, os votos das federações estaduais e dos clubes das Séries A e B têm pesos diferentes, o que faz com que as votações sejam sempre definidas pelos votos das federações, e os clubes acabam tendo papel secundário dentro da entidade.

O desgaste entre clubes e CBF piorou ainda mais com a convocação dos jogadores para defender a seleção brasileira nos Jogos Olímpicos. Daniel Alves, do São Paulo, e Pedro, do Flamengo, foram chamados. Em tese, como a Olimpíada não é um torneio com a chancela da Fifa, os clubes não são obrigados a liberarem seus jogadores. Mas Daniel e Pedro celebraram nas redes sociais o chamado do técnico André Jardine e, dificilmente, deixarão de ir a Tóquio.

Isso irritou bastante São Paulo e Flamengo, que estão entre as principais lideranças do movimento dos times. Os dois são os que mais reclamam da obrigatoriedade de ceder jogadores para a seleção brasileira, tanto que o Flamengo pede na Justiça Desportiva a suspensão do Campeonato Brasileiro durante a Copa América e os Jogos Olímpicos, já que tem diversos atletas convocados. Antes da lista de Tóquio ter sido divulgada, o clube carioca já havia dito que não liberaria Pedro. Agora, com o jogador colocando-se publicamente à disposição da seleção, a situação ficou mais complicada.