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Futebol / Jeitinho

CBF muda de presidente às pressas após Rogério Caboclo escapar de exclusão

Ednaldo Rodrigues assume presidência em manobra liderada pelos vice-presidentes da entidade

Redação Publicado em 26/08/2021, às 12h38 - Atualizado em 30/08/2021, às 09h38

Ednaldo Rodrigues foi escolhido para ser presidente da CBF - CBF
Ednaldo Rodrigues foi escolhido para ser presidente da CBF - CBF

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mudou às pressas sua presidência na tarde desta quarta-feira (25). A decisão foi tomada depois que o Comitê de Ética da entidade recomendou o afastamento por mais 12 meses de Rogério Caboclo do cargo de presidente da confederação, considerando-o inocente das acusações de assédios moral e sexual contra funcionárias. Para o Comitê, tratou-se apenas de uma “conduta inapropriada” do então mandatário.

A jogada de bastidores foi definida ao longo da manhã, em uma reunião às pressas entre os oito vice-presidentes da CBF e, posteriormente, referendada informalmente em encontro com os presidentes das 27 federações estaduais. Sete vices decidiram desistir do direito ao cargo para conduzir Ednaldo Rodrigues Gomes, ex-presidente da Federação Bahiana de Futebol, à função interina de presidente da CBF. A princípio, ele ficará à frente da entidade até que Rogério Caboclo seja reconduzido à presidência, algo que está previsto para acontecer apenas em agosto de 2022.

“Como o Estatuto Social da CBF não prevê a forma de substituição do presidente em caso de afastamento temporário, como o que presentemente ocorre, visto que tal substituição não está contemplada nas hipóteses do art. 61 (ausência, licença ou impedimento), nem tampouco na hipótese do art. 62 (vacância) e considerando que, uma vez afastado, o presidente fica privado da prática de qualquer ato administrativo, todos os vice-presidentes da entidade – únicos possíveis substitutos – dispuseram formalmente de seu direito de substituição temporária em favor do vice-presidente Ednaldo Rodrigues Gomes, que assume interinamente a presidência”, declarou a CBF, em nota oficial.

A decisão está recheada de controvérsias e de articulações nos bastidores.

A primeira é em relação ao abrandamento da punição a Caboclo. O dirigente ficou isolado após virem à tona denúncias de três funcionárias da CBF de que sofreram assédios moral e sexual. Desde o início de junho, Caboclo foi afastado de suas funções. Após quase três meses de investigações, porém, o Comitê de Ética da CBF entendeu que o dirigente não cometeu assédio e recomendou seu afastamento por 15 meses da presidência apenas por “conduta inapropriada”.

Essa decisão, anunciada na última terça-feira (24), revoltou boa parte dos dirigentes das federações, que têm maior peso na votação dos destinos da entidade. Assim, quando foi anunciada a decisão do Comitê de Ética, os bastidores da CBF entraram em ebulição atrás de uma solução para o caso.

Conduzido à presidência, Ednaldo Rodrigues Gomes deve ter como primeiro ato convocar uma Assembleia Geral reunindo as federações. Nesse encontro, será decidido o destino de Rogério Caboclo, que por outro lado já divulgou que deve recorrer das decisões tomadas desde terça-feira (24) e disse que essas atitudes foram articuladas pelo ex-presidente da entidade Marco Polo Del Nero, que está proibido de exercer qualquer atividade no futebol após ser banido pela FIFA por corrupção.