A reunião do Conselho Arbitral da Série B do Campeonato Brasileiro, realizada nesta quinta-feira (5), na sede da CBF, no Rio de Janeiro, foi marcada pela insatisfação dos dirigentes em relação à distribuição dos valores de direitos comerciais e direitos de transmissão.
Alguns presidentes de clubes se posicionaram publicamente criticando a disparidade financeira entre os contratos firmados pelo Futebol Forte União (FFU) e os acordos de Náutico e São Bernardo, que não aderiram a nenhum bloco de clubes e negociaram seus direitos com a CBF.
“O que precisamos é buscar manter o equilíbrio financeiro e esportivo entre os clubes que vão disputar o mesmo campeonato”, ressaltou Bernardo Pessi, presidente do Avaí.
“Não sei detalhes do acordo [de Náutico e São Bernardo com a CBF]. É um valor superior ao que a gente recebe como FFU e vamos tentar fazer um equilíbrio dessa relação”, explicou o dirigente, eleito no ano passado.
Compromisso
Para Álvaro Góis, presidente do Operário-PR, a CBF não tem compromisso com os times que fecharam com as ligas. No caso da Série B, com exceção de Náutico e São Bernardo, as demais equipes estão todas no FFU.
Mesmo assim, elogiou a iniciativa da confederação de arcar com despesas como arbitragem, VAR, antidoping, viagens e hospedagem das demais equipes. Pelo apoio da CBF, os clubes terão, como contrapartida, que adotar uma série de melhorias na gestão e governança em conformidade às regras do Fair Play Financeiro.
“A CBF se propôs a pagar a logística dos outros times, o que a liga declinou. Fez uma proposta e depois acabou declinando. É muito triste para nós que estamos na liga”, criticou o dirigente.
“Não sei até que ponto isso vai dar longevidade com a liga administrando esses clubes. Qual é o nosso objetivo? É receber o mesmo valor que São Bernardo e Náutico estão recebendo. Que a liga pelo menos tenha uma igualdade de competição”, defende.
Desigualdade
Além da diferença entre os contratos, os dirigentes também demonstraram insatisfação com os valores que o Fortaleza terá direito na Série B. O clube cearense, que caiu para a Série B em 2026, receberá montante superior ao dos demais, o que gerou críticas sobre a falta de isonomia do contrato do FFU, que já havia sido assinado.
“Claro que não é só descontentamento meu. É de todos. Quando você tem, em uma empresa, um nível salarial de gerente em que todos ganham R$ 10 mil e alguém está ganhando mais do que esse valor, claro que ninguém vai aceitar”, exemplificou Góis, do Operário-PR.
“Todo mundo está descontente como a liga está trabalhando. É importante estar todos os times unidos e buscar nossos direitos”, completou.
Pessi reiterou a insatisfação com os valores recebidos no contrato com jo FFU. “Meu posicionamento, e se estende a outros presidentes, é de uma insatisfação muito grande não só em relação a essa distribuição, que não é isonômica, mas todo o processo de venda dos direitos econômicos e direitos de transmissão foi insuficiente”, declarou o dirigente catarinense.
Segundo o presidente do Avaí, após a reunião do Conselho Arbitral, os 18 times do FFU que disputam a Série B 2026 devem marcar um encontro para discutir como melhorar o desempenho financeiro do bloco de clubes e distribuir a verba arrecadada de maneira mais igualitária.
“Estamos vendo um déficit financeiro que não está atendendo à expectativa dos clubes. Isso será objeto de pauta nas reuniões diretamente com o FFU, que não tem atingido o objetivo coletivo proposto, especialmente para os clubes de Série B”, reclama Pessi.
Direitos de TV
Os direitos de transmissão da Série B estão divididos entre dois blocos. O FFU fechou contrato com a Disney, que transmite os jogos pela ESPN e no Disney+, com validade até 2027.
Já Náutico e São Bernardo negociaram diretamente com a CBF e têm seus jogos como mandante exibidos pela Globo em suas diferentes plataformas. O Náutico, inclusive, deve garantir visibilidade na TV aberta, em transmissões para Pernambuco.
