COI ataca planos da FIFA de Copa do Mundo a cada dois anos

O Comitê Olímpico Internacional (COI) e seus membros atacaram os planos da FIFA de realizar uma Copa do Mundo a cada dois anos dizendo que isso causaria “dano imensos” ao esporte global.

Membros do comitê definiram a proposta de ter a competição bienal como uma ameaça durante o 139º Congresso do COI, que está sendo realizado durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, que tiveram início nesta sexta-feira (4).

“O plano criaria danos imensos ​​e colocaria em perigo o esporte e, em particular, o futebol. Isso simplesmente afetaria outros esportes e os colocaria em segundo plano, o que é inaceitável. Criaria uma cisão entre o esporte feminino e o masculino, e seria um revés para nosso objetivo de criar equidade e paridade em todos os esportes”, criticou Mustapha Berraf, presidente da Associação dos Comitês Olímpicos Nacionais da África.

“Chega um ponto em que os atletas têm que dizer ‘Pare‘”, disse Ryu Seung-min, membro da Comissão de Atletas do COI e medalhista de ouro no tênis de mesa.

O sérvio Nenad Lalovic, presidente da Federação Mundial de Lutas, foi outro que criticou a proposta.

Gianni Infantino, presidente da FIFA, é membro do COI, mas não foi a Pequim nem participou das reuniões de maneira remota. Nesta sexta-feira (4), ele esteve em Yaoundé (Camarões), onde será disputada a final da Copa Africana de Nações, entre Senegal e Egito, no próximo domingo (6).

“Todos gostaríamos de discutir a proposta da FIFA para uma Copa do Mundo bienal junto com o presidente da FIFA e membros do COI”, afirmou Thomas Bach, presidente do COI.

A crítica e o ataque coordenado são outro golpe nos planos de Infantino, que já conta com oposição forte de UEFA e CONMEBOL, além de ligas e clubes. Na semana passada, Alejandro Dominguez, presidente da CONMEBOL, disse que a Copa do Mundo bienal não tinha chance de sucesso.

A FIFA realizou um estudo de viabilidade para a Copa do Mundo a cada dois anos e impulsionou a proposta com uma campanha de relações públicas, mas, após a última reunião do Conselho, Infantino adotou um tom mais conciliador e abandonou os planos de votar a ideia antes do final de 2021.

Em países onde o futebol depende de subsídios governamentais por meio de distribuição de verbas via Comitês Olímpicos Nacionais (CONs), Infantino deve ver sua proposta perder apoio. Se insistir na ideia, corre o risco de inviabilizar sua reeleição, já que os CONs devem pressionar suas federações de futebol a votarem contra o dirigente.