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Futebol / Profissional

Com finanças apertadas, CEOs se consolidam no futebol

Duda Lopes Publicado em 03/05/2021, às 23h32

Imagem Com finanças apertadas, CEOs se consolidam no futebol

CEO, a sigla para “Chief Executive Officer”, virou moda no Brasil entre as grandes empresas que quiseram passar uma imagem de modernidade ao cargo de “presidente” ou de “diretor-executivo”. E não tardou para a tendência chegar ao futebol. Mas, nesse caso, com uma mudança clara no modelo de gestão: os tempos de dificuldades financeiras e o processo de profissionalização da última década têm forçado as equipes a adotarem um chefe renumerado para concentrar a administração.

E assim surgiram diversos nomes nos últimos meses. Botafogo e Vasco, no Rio de Janeiro, apostam na inovação. O Cruzeiro chegou a apresentar um nome para o cargo, mas ele logo foi “realocado” para diretor. No Rio Grande do Sul, o Grêmio é exemplo com um executivo no cargo desde 2017. E, nesse caminho, o Internacional buscou suas próprias soluções.

O antigo executivo de finanças do Inter, Giovane Zanardo, assumiu o cargo de CEO em março deste ano, em uma retomada na estratégia de ter um nome que concentre a estrutura profissionalizada do clube. Em entrevista à Máquina do Esporte, ele contou como que os times chegaram a essa necessidade.

Giovane Zanardo, do Internacional, vê presença dos CEOs como a continuidade do processo de profissionalização (Foto: Ricardo Duarte)

“É um processo de amadurecimento, com o aumento de receitas e de despesas também. Os clubes passaram a ter um processo de profissionalização no departamento de marketing, de finanças, de futebol. E o CEO é a continuação desse processo. Os executivos precisam de alguém que comande, que tenha um senso de objetivo geral”, explicou Zanardo.

Esse processo diferencia os clubes das tentativas de outrora. O próprio Inter, por exemplo, chegou a ter CEO em 2011, com Aod Cunha no cargo. Sua presença, no entanto, não chegou a seis meses, com o pedido de demissão do executivo que entendeu não ter a autonomia necessária para seguir.

Caso mais emblemático aconteceu no São Paulo em 2015. Alex Bourgeois foi contratado pelo então presidente Carlos Miguel Aidar, mas foi demitido após três meses por discordâncias com a diretoria. Quando Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, assumiu a equipe, resolveu recontratá-lo. Mas a nova experiência não chegou a um mês.

Hoje, o cenário parece diferente e mais seguro para o desenvolvimento do trabalho de um CEO. Primeiro por o processo de profissionalização está mais maduro. E, segundo, porque há necessidades urgentes. O Internacional, por exemplo, teve o pior déficit de sua história em 2020.

Para Jorge Braga, do Botafogo, time já teria fechado se fosse uma empresa (Foto: botafogo.com.br)

Na última semana, o novo CEO do Botafogo, Jorge Braga, se pronunciou oficialmente pela primeira vez. Por meio do site do clube, o executivo falou sobre a grave situação financeira da equipe carioca, que tem dívida superior a R$ 1 bilhão.

“A situação do clube é desafiadora em todos os sentidos. Do caixa ao futebol, temos tudo para fazer. Não basta saber o quê, mas também o como. Se fosse uma empresa, o Botafogo já teria falido há tempos. Devem existir poucos clubes no mundo com uma relação dívida/receita igual à nossa que ainda estejam vivos”, afirmou.

Para que os planos saiam do papel, os executivos precisarão de autonomia, o que nem sempre é uma tarefa simples. A necessidade, no entanto, deverá dar mais força aos CEOs. Inclusive porque os planos de reestruturação têm partido da própria presidência das equipes.

“Não podemos negociar com o tempo. Foi frase do presidente (Alessandro Barcellos) durante a campanha dele. Demissão é sempre um processo traumático, mas o conselho apresentou um projeto de gestão que foi aprovado nas urnas. Esse projeto tinha como um dos pilares as finanças. Apesar de medidas duras gerarem inquietação, há o entendimento de que elas são necessárias”, ressaltou Zanardo.