O Comitê Olímpico Italiano (CONI) determinou a colocação da Federação Italiana de Futebol (FIGC) sob administração extraordinária. A manobra institucional destituiu Giovanni Malagò do cargo de presidente eleito da entidade e o nomeou como comissário responsável por gerir a federação até a convocação de novas eleições.
A decisão é consequência de um problema técnico relacionado à elegibilidade de Malagò durante o pleito realizado em 22 de junho, quando ele derrotou o ex-presidente Giancarlo Abete com 68,58% dos votos para suceder Gabriele Gravina.
Na ocasião da eleição, Malagò não possuía registro formal como membro da FIGC, o que levantou questionamentos sobre a conformidade de sua candidatura com o regulamento da entidade e motivou o CONI a buscar pareceres jurídicos. A intervenção possui caráter administrativo e não envolve denúncias de irregularidades na conduta do dirigente.
Problema
A proposta foi apresentada pelo presidente do CONI, Luciano Buonfiglio, com o objetivo de solucionar a questão técnica sem que o mandatário eleito arcasse com punições pessoais. A medida foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Executivo e pelo Conselho Nacional do órgão, em votação que não contou com a participação de Malagò.
A resolução anula o mandato contestado, mas mantém o dirigente no comando do futebol italiano para organizar o novo pleito, agendado para 14 de dezembro, antes da data-limite de 31 de janeiro de 2027 estipulada pelo comitê. O executivo já sinalizou que pretende concorrer novamente ao cargo.
“Gostaria de agradecer ao Conselho Executivo e ao Conselho Nacional do CONI por sua confiança e pela responsabilidade que me confiaram. Aceito este cargo com espírito de serviço público, plenamente ciente da natureza delicada da situação e do trabalho que temos pela frente”, declarou Giovanni Malagò.
“Esta decisão encerra uma longa e complexa disputa envolvendo a FIGC. A partir de hoje, acredito que é essencial olhar para a frente e concentrar toda a nossa energia e atenção nas verdadeiras prioridades do futebol italiano. Viva a Itália”, completou.
Crise
Agora, Malagò terá pouco mais de dois meses para estabilizar a gestão de uma federação que lida com gargalos estruturais e esportivos, como os problemas financeiros dos clubes da Série A, o envelhecimento da infraestrutura dos estádios nacionais, os preparativos para a organização conjunta da Eurocopa 2032 com a Turquia e o impacto da ausência da seleção masculina nas últimas três edições da Copa do Mundo.
As últimas tentativas da federação em colocar a seleção italiana de volta aos trilhos ocasionou uma dança das cadeiras. O ex-jogador Pirlo foi contratado para ser treinador da equipe, mas viu o acordo ruir por conta de uma parceria com a casa de apostas russa Fonbet, que não é licenciada na Itália.
Contrariados com a situação, o ídolo italiano Paolo Maldini e o brasileiro Leonardo pediram demissão de seus respectivos cargos de diretor e consultor da seleção italiana, 16 dias após terem sido contratados.
