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Futebol / Em choque

Cruzeiro demite Fábio e diz que ofereceu contrato "acima do razoável" para ídolo

Goleiro alega queria acordo até fim do ano, mas clube não lhe deu essa opção; saída gera críticas da torcida

Adalberto Leister Filho - São Paulo (SP) Publicado em 06/01/2022, às 11h33

Sérgio Santos Rodrigues, presidente cruzeirense, com Fábio após apalavrar renovação de contrato, em novembro - Divulgação/Cruzeiro
Sérgio Santos Rodrigues, presidente cruzeirense, com Fábio após apalavrar renovação de contrato, em novembro - Divulgação/Cruzeiro

O Cruzeiro anunciou a saída do goleiro Fábio, 41, maior ídolo do clube, que não renovou contrato. O time, que recentemente foi adquirido pelo ex-atacante Ronaldo Nazário, ofereceu ao jogador uma renovação até o final do Campeonato Mineiro, quando planejava fazer uma festa em homenagem à despedida do jogador.

Fábio recusou a oferta. Ele queria permanecer no elenco até o final do ano e ajudar o clube na tentativa de subir para a Série A do Brasileirão.

“Foi oferecido ao jogador um contrato que certamente extrapolava o razoável para um clube publicamente deficitário. Os termos desta proposta não foram aceitos pelo atleta e seu agente”, afirmou o time mineiro, em comunicado divulgado na manhã desta quinta-feira (6), após longo desabafo feito pelo jogador em seu perfil no Instagram na noite anterior.

“Fundamental esclarecer que o desejo do Cruzeiro era de ampliação de vínculo, embora não pelo mesmo prazo desejado pelo atleta. A proposta era de que Fábio pudesse, em campo, ao longo do Campeonato Mineiro, se despedir da torcida como ele e a própria torcida merecem”, acrescentou o clube.

O Cruzeiro afirmou que está aberto para parabenizar a carreira do jogador, que permaneceu por 18 anos no time. Mas que seriam “homenagens extracampo”.

Fábio afirmou que havia acertado as bases de renovação com o presidente Sérgio Rodrigues em novembro, antes da venda da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Cruzeiro para Ronaldo.

“Quero deixar claro que aceitaria a readequação ao novo teto salarial, mas essa nova administração também não me deu essa opção”, afirmou o jogador.

Pelo Cruzeiro, Fábio foi campeão brasileiro em 2013 e 2014, da Copa do Brasil em 2000, 2017 e 2018 e mineiro em 2006, 2008, 2009, 2011, 2014, 2018 e 2019. O jogador estava a 24 jogos de chegar a 1.000 partidas com a camisa do time mineiro.

O goleiro conta que recebeu mensagem do Cruzeiro no último dia 28 de dezembro para uma reunião, durante as férias, para acertar a possível renovação de contrato. O encontro aconteceu na terça-feira (4).

“Para minha surpresa, a atual diretoria foi clara que não deseja contar comigo desportivamente para 2022”, afirmou o goleiro, que admitiu mágoa com os novos dirigentes.

“Paulo André, que estava na sala ao lado, não teve sequer a consideração de me cumprimentar, sendo ele um ex-colega de clube”, criticou.

O impasse entre clube e jogador era quanto ao período de contrato. A diretoria do Cruzeiro queria a prorrogação por apenas três meses, enquanto Fábio não abria mão de disputar a Série B do Brasileirão para tentar a voltar à elite. 

“Ajudar a levar o Cruzeiro de volta à Série A era meu maior sonho. Queria muito tentar, muito mesmo, dói escrever isso, me perdoem de coração por não ser possível, sei a dor que eu e 9 milhões de torcedores passamos, dando nossas lágrimas, nosso suor e nossa dedicação para voltarmos no lugar de merecimento da grandeza do Cruzeiro”, afirmou o jogador.

Leia abaixo a nota oficial do Cruzeiro na íntegra:

“O Cruzeiro esclarece à sua torcida pontos importantes sobre a não renovação do goleiro Fábio. É fundamental lembrarmos que o Cruzeiro tem um desafio imenso de reorganização que precisa ser planejada e executada considerando a sobrevivência da entidade. Nesse sentido, a reestruturação precisa ocorrer em diversos campos: financeiro, organizacional, administrativo e, claro, esportivo. Muitas decisões não são populares mas precisam ser adotadas.

O projeto esportivo que vem sendo implantado considera critérios técnicos e a constituição de um plano de longo prazo para a instituição. As decisões no Departamento de Futebol visam a construção de uma equipe competitiva, sustentável e que esteja a altura da grandeza do clube. Foi exatamente um projeto nessas condições que foi apresentado ao goleiro de 41 anos, que o negou.

A proposta respeitava também a imprescindível responsabilidade econômica da entidade. Necessário ressaltar que, ainda assim, sendo Fábio o ídolo que é, um importante sacrifício econômico foi feito. Foi oferecido ao jogador um contrato que certamente extrapolava o razoável para um clube publicamente deficitário. Os termos desta proposta não foram aceitos pelo atleta e seu agente.

O Cruzeiro, desde o início e com enorme respeito, deixou claro que a proposta  respeitava sua relevância e admirável história de 18 anos no clube. Fundamental esclarecer que o desejo do Cruzeiro era de ampliação de vínculo, embora não pelo mesmo prazo desejado pelo atleta. A proposta era de que Fábio pudesse, em campo, ao longo do Campeonato Mineiro, se despedir da torcida como ele e a própria torcida merecem. Inclusive, o Cruzeiro segue aberto para que inúmeras homenagens extracampo aconteçam.

Não é mais possível aceitar um perfil de administração que fez tantos clubes chegarem a um cenário de inviabilidade. O Cruzeiro tem clareza de que não há outra forma de manter a história de um dos maiores clubes de futebol do mundo que não seja com uma gestão responsável, com colaboradores e atletas que estejam plenamente alinhados a esse pensamento.”