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Dirigentes de Coritiba, Corinthians e São Paulo defendem o Fair Play Financeiro no futebol brasileiro

No Summit CBF Academy, executivos debateram a regulação econômica como ferramenta para reestruturação de dívidas, proteção institucional e atração de novos investidores

Samir Xaud, presidente da CBF, durante reunião do GT do Fair Play Financeiro - Staff Images - CBF

Samir Xaud, presidente da CBF, durante reunião do Grupo de Trabalho do Fair Play Financeiro - Staff Images - CBF

Em um debate realizado no Summit CBF Academy 2025 sobre gestão no futebol, dirigentes de Coritiba, Corinthians e São Paulo se mostraram favoráveis à implementação do sistema de Fair Play Financeiro no futebol brasileiro. A medida, que foi anunciada e detalhada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no evento, é vista pelos executivos como um mecanismo essencial para a sustentabilidade da indústria e para aumentar a competitividade nas competições nacionais.

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O sistema proposto visa a estabelecer limites para o endividamento dos clubes e garantir o cumprimento de obrigações financeiras básicas. O CEO da SAF do Coritiba, Lucas de Paula, destacou que o ambiente atual do futebol sofre com a ausência de uma regulação interna, o que pressiona os gestores a tomarem decisões financeiras arriscadas.

“A pressão política, seja de torcida, seja de conselho, seja de mídia, está pressionando os gestores a tomarem decisões não tão qualificadas. Ao meu ver, tem duas grandes forças que estão impulsionando o futebol brasileiro para o diagnóstico que a gente está chegando hoje. A primeira é a pressão política, e a segunda é a ausência de uma regulação interna”, afirmou o executivo. 

Regulação

Para o CEO da SAF do Coritiba, o estabelecimento de normas financeiras rígidas representa um marco comparável à reestruturação do Campeonato Brasileiro na década de 1970. A expectativa é de que, a partir de 2026, o futebol nacional entre em um novo ciclo de organização, promovendo uma competitividade maior entre os times e aumentando a credibilidade junto ao mercado corporativo.

“Acho que podemos cravar aqui que o Fair Play Financeiro vai ser a grande revolução do futebol brasileiro. Nós esperamos que daqui a 15, 20 anos a gente olhe para trás e lembre de 2026 como o primeiro ano em que o nosso futebol se estruturou dentro de uma regulação que devolveu a paridade de ação dos clubes, o respeito a grandes patrocinadores e que voltou a chamar atenção de grandes grupos econômicos”, comentou o executivo do Coritiba. 

Reestruturação

Representando o Corinthians, o presidente Osmar Stabile enfatizou a participação ativa do clube nas discussões sobre o tema e a intenção de utilizar o mecanismo para auxiliar na recuperação econômica da instituição. O dirigente admitiu as dificuldades financeiras atuais e ressaltou que a implementação das regras do Fair Play chega em um momento oportuno para apoiar a proposta de transformação da gestão do clube. 

“Nós entendemos que o Fair Play Financeiro é necessário para todos os clubes, não só ao Corinthians, mas para todos que entendam que é necessário alcançar um ponto de transformação”, comentou Stabile.

“Nós não temos vergonha nenhuma de dizer aqui que é necessário a ajuda de todos para que a gente possa atender o objetivo lá na frente. A gente fica triste pela situação atual que nos encontramos, mas tenho certeza absoluta de que, no futuro, vamos resolver os problemas, e é dessa forma que nós vamos trabalhar”, acrescentou o presidente do Corinthians.

Transição

O presidente do São Paulo também declarou apoio ao Fair Play Financeiro e destacou que o modelo já era uma necessidade há algum tempo. Julio Casares ainda indicou que o momento é de transição de uma conduta que vinha sendo seguida por muitos anos no futebol brasileiro e que precisava mudar.

“O Fair Play Financeiro já era uma necessidade de alguns anos. O São Paulo não só apoia, mas entende que é um momento de transição de anos e anos em que se tinha uma outra conduta e que isso precisava mudar”, disse Casares.

“Não é fácil. É uma transição, e nós vamos ter dificuldades, o que faz parte do jogo. Mas acredito muito no projeto que a CBF elaborou junto com o Grupo de Trabalho, e nós vamos conseguir fazer essa adaptação”, concluiu o presidente do São Paulo.