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Futebol / É treta!

Discussão sobre patrocínio da Qatar Airways vira briga no Bayern de Munique

Associados batem boca durante Assembleia Geral para definir permanência do patrocinador na camisa do time

Redação - São Paulo (SP) Publicado em 29/11/2021, às 10h40 - Atualizado às 10h42

Dirigentes do Bayern e da Qatar Airways na assinatura do patrocínio, fechado em setembro de 2018 - Reprodução / Twitter (@qatarairways)
Dirigentes do Bayern e da Qatar Airways na assinatura do patrocínio, fechado em setembro de 2018 - Reprodução / Twitter (@qatarairways)

Uma Assembleia Geral de sócios que terminou em bate-boca entre conselheiros e dirigentes de um clube por conta da permanência de um patrocinador na camisa do time de futebol e que só não gerou uma briga generalizada porque os dirigentes deixaram o recinto.

O enredo parece típico de uma entidade esportiva da América do Sul. Mas o papelão foi protagonizado pelo Bayern de Munique, um dos principais clubes do mundo, na reunião que foi feita para os sócios discutirem se o patrocínio da Qatar Airways deveria permanecer ou não na camisa do time.

A votação foi encerrada com uma avassaladora maioria defendendo que o Bayern encerrasse o acordo com a companhia aérea. Para 77,8% dos associados, o Bayern deveria se alinhar com “os padrões de direitos humanos reconhecidos internacionalmente”. Ou seja, o clube deveria encerrar o relacionamento comercial com a companhia aérea estatal do Catar.

O motivo para isso são as acusações feitas por diversos grupos de direitos humanos, que criticaram o tratamento dado pelo estado do Catar aos trabalhadores estrangeiros trazidos ao país para trabalhar nos novos projetos de infraestrutura para a Copa do Mundo de 2022.

O sistema denominado “kafala”, em que o Catar levava trabalhadores migrantes para trabalhar nos locais da Copa do Mundo, foi descrito por grupos de direitos humanos como “escravidão moderna”, devido às limitações que impôs aos funcionários. A prática foi desmantelada pelo governo catariano ao anunciar mudanças em suas leis trabalhistas no ano passado, mas relatórios recentes sugerem que pouco mudou no país e que os trabalhadores ainda estão sendo explorados.

Por conta disso, os sócios disseram na Assembleia que queriam o fim do contrato que rende € 20 milhões ao ano para o Bayern. O presidente Herbert Hainer e o CEO e ex-goleiro do clube, Oliver Kahn, porém, rejeitaram os apelos dos associados. Kahn defendeu o acordo, dizendo que o Bayern tem “critérios muito claros” para suas parcerias.

Conforme as tensões aumentaram durante a reunião, os sócios gritaram “nós somos o Bayern, e você não”, bem como “Hainer fora”. Isso fez com que os membros do conselho de administração do clube se retirassem da sala onde ocorria a reunião.

O acordo de patrocínio ainda tem validade até dezembro de 2022. Além da exposição da marca da Qatar Airways na manga do uniforme, o Bayern tem viajado para realizar partidas de intertemporada no país do Oriente Médio. Só em 2020, por conta da pandemia, isso não aconteceu.