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Futebol / Messi e Cia

Eliminação escancara crise financeira do Barcelona

Redação Publicado em 11/03/2021, às 00h57

Imagem Eliminação escancara crise financeira do Barcelona

O Barcelona não superou o Paris Saint-Germain nas oitavas de final da Liga dos Campeões, foi eliminado com direito a goleada no primeiro jogo e perdeu a chance de se recuperar de um vexame histórico da temporada anterior, ao levar 8 gols do Bayern de Munique. Nesta semana, o time também viu o Atlético de Madri abrir seis pontos de vantagem na tabela da LaLiga. A situação esportiva inimaginável para quem viu a equipe há alguns anos tem uma origem clara: uma crise financeira e política.

O clube catalão que se reinventou na década de 2000 e conseguiu entrar no grupo dos dez clubes mais ricos da Europa para, enfim, se tornar o mais poderoso do mundo, virou vítima de seu próprio sucesso. O esforço sem fim para manter a liderança no esporte fez com que a equipe virasse as costas para a formação de atletas e fizesse enormes sacrifícios para manter um elenco vencedor.

Como revelou o jornal “Marca” no início deste ano, a situação financeira da equipe é, no mínimo, delicada, com números que lembram mais as lambanças das equipes brasileiras. São mais de € 1 bilhão em dívidas, mas com uma particularidade cruel: mais da metade do valor, cerca de € 700 milhões, é considerada de curto prazo. Ou seja, o clube terá que fazer mais sacrifícios para negociar seus problemas ao longo da temporada 2020/2021, que novamente deverá sofrer com a pandemia.

Time de Messi sofreu contra Paris Saint-Germain e foi eliminado da Liga dos Campeões (Foto: Uefa)

O Covid-19, por sinal, reforçou a situação difícil vivida pela equipe. O Barcelona planejava ultrapassar na temporada 2019/2020 a marca de € 1 bilhão em receita, o que o consolidaria como time mais rico do mundo. Com a crise, o faturamento ficou na casa dos € 800 milhões, valores impressionantes para qualquer equipe esportiva, mas que são sufocados pelos altos gastos do clube catalão.

A principal questão está nos custos salariais do Barcelona, um enorme esforço do clube para manter nomes como Gerard Piqué, Jordi Alba e, principalmente, Lionel Messi. Hoje, mais de 70% dos gastos da equipe estão direcionados a pagamentos de salários, uma porcentagem alta a considerar as principais agremiações do futebol europeu. E que deixa pouca margem para manobras em momentos de crise, como a pandemia.

Messi ilustra bem as apostas do Barcelona. Segundo revelou o jornal “El Mundo”, o último contrato do atleta com a equipe não só o fez ter o maior salário do mundo do futebol como incluiu bônus superiores a € 100 milhões.

E, após vender Neymar por mais de € 200 milhões, a equipe espanhola não hesitou em buscar um novo grande nome para a equipe. Philippe Coutinho, Antoine Griezmann e Ousmane Dembélé custaram mais de € 400 milhões só com o valor de contratação.

Politicamente, os últimos anos também foram de problemas, a ponto de o ex-presidente Josep María Bartomeu ter sido preso no início deste mês, na operação que foi chamada de “Barçagate”. Assim como Richard Nixon, que deu origem à expressão usada na Espanha, o ex-dirigente usou de meios ilegais para atacar seus adversários. Nesse caso, uma rede de difamação online, com gastos feitos pelo próprio clube.

No último domingo (7), Joan Laporta reassumiu o posto de presidente da equipe. Mandatário na década de 2000, o dirigente terá como missão recolocar o Barcelona no rumo das vitórias e, principalmente, da sustentabilidade financeira.