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Futebol / À Venda

Endividado, Barcelona quer vender parte do Barça Studios por € 100 milhões

Clube planeja entrada de investidores para aumentar capacidade de produção e lucratividade da produtora

Erich Beting - São Paulo (SP) Publicado em 05/10/2021, às 08h23 - Atualizado às 08h27

Barça Studios foi criado durante gestão desastrosa de Josep Maria Bartomeu no Barcelona e já é lucrativo - Divulgação
Barça Studios foi criado durante gestão desastrosa de Josep Maria Bartomeu no Barcelona e já é lucrativo - Divulgação

A grave crise econômica que atinge o Barcelona deverá fazer com que um dos times que mais gera receita no mundo da bola tenha de se desfazer de parte de um negócio visto como o “futuro” do clube: o hub de produção de conteúdo Barça Studios.

Nesta segunda-feira (4), o Barcelona divulgou a previsão orçamentária a seus associados. A direção comandada por Joan Laporta afirmou que busca um parceiro que pague € 50 milhões para comprar uma participação sobre o Barça Studios e invista outros € 50 milhões na própria empresa.

Segundo o que foi reportado pelo clube, a ideia é que o clube transfira “para um ou mais investidores uma participação minoritária do capital social”. A venda ainda depende de aprovação da assembleia de sócios, mas o clube já colocou o aporte de € 50,41 milhões em seu orçamento como uma receita extraordinária em proveitos financeiros de títulos e valores mobiliários de empresas do grupo e associadas, de acordo com o site 2Playbook.

O Barça Studios foi criado ainda na conturbada gestão de Josep Maria Bartomeu, com o objetivo de ser um hub de criação de conteúdo que colocasse o Barcelona entre os maiores produtores do mundo. Foram investidos mais de € 15 milhões em tecnologia e mais € 4 milhões nos próprios estúdios. De acordo com o balanço do clube, o Barça Studios já gerou, até agora, mais de € 30 milhões de receitas por ano.

Por conta disso, o clube está confiante de que a entrada de um sócio não só facilitará a geração de receitas extraordinárias para compensar a queda da atividade normal, mas também dará ao produtor mais musculatura “para se desenvolver, acelerar e poder comercializar o conteúdo que já está sendo trabalhado”.

A ideia da diretoria do Barça é que, com a venda, o Studios seja “uma nova fonte de receitas relevantes e regulares para o clube, tirando partido da marca global mais importante do esporte mundial”.

Um exemplo é o documentário Matchday, que traz os bastidores do clube durante uma temporada e gerou € 6,4 milhões em receitas dentro de plataformas como Netflix e Rakuten, onde foi exibido. O custo para a produção foi de € 2,6 milhões. Outro é a “Talent Explorers”, série de animação feita em parceria com a Sony Music Latin Iberia. O investimento foi de € 6 milhões na produção, e a previsão de receitas em cinco anos é de € 14 milhões com direitos de transmissão e a licença do produto.

Ao todo, 15 produções já foram lançadas, entre filmes, séries e documentários, além de seis novos formatos em desenvolvimento e dez produtos em carteira. Sem dinheiro no caixa, porém, o Barcelona terá dificuldades para gerar novas produções. Com isso, a ideia é se desfazer de parte do negócio, mas tendo um investidor que ajude a lançar novos produtos.

No fim de 2020, a meta do Barça Studios era de ter “cinco conteúdos premium globais por ano”. Além das produções para distribuição global, o estúdio tem como meta unificar a geração de conteúdos entre a área de imprensa, internet, redes sociais e o canal de televisão do clube. De acordo com um relatório, a cada ano são produzidas 8 mil horas na Barça TV, das quais 1.500 horas ao vivo. Já existem mil horas de conteúdo sob demanda disponíveis no OTT BarçaTV +, e também são mais de 3 mil vídeos curtos produzidos em plataformas como Twitter, Instagram e TikTok.

A criação e venda parcial do Barça Studios é a segunda tentativa do clube de atrair investidores para alguns dos seus negócios comerciais. A primeira foi feita pela direção de Josep Maria Bartomeu, que ambicionava colocar 49% do Barça Corporate, empresa para a qual se transfeririam as divisões de audiovisual, lojas, inovação e academias.

As avaliações efetuadas pelos fundos que chegaram à fase final do processo ultrapassaram os € 400 milhões, tendo quatro fundos de investimento interessados no negócio, que só não foi concretizado pela mudança de diretoria do clube. Joan Laporta, atual presidente, considerou a venda “pouco atrativa” e decidiu vetá-la, argumentando que as propostas não deram valor às Academias do Barça e ao Centro de Inovação, bem como houve uma baixa valorização do Barça Studios e da parte de lojas oficiais do clube, que abraçava também o acordo com a Nike.

Curiosamente, em agosto, o Barcelona recusou vender parte de seus direitos audiovisuais dentro da LaLiga para o fundo de investimentos CVC. A recusa foi o que impediu o Barcelona de ter dinheiro no caixa e obrigou o clube a se desfazer de Lionel Messi, o maior jogador de sua história, já que a LaLiga não aprovou a previsão orçamentária com o salário do atleta.

A situação do Barcelona é desesperadora. Depois de encerrar as duas temporadas impactadas pela Covid-19 com perdas de € 578 milhões, o Barça tem uma dívida líquida contabilizada, em 30 de junho de 2021, de € 680 milhões, com aumento de 39,5% por ano.