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EXCLUSIVO: Carlos Maluf, head de esportes da Disney, fala sobre a fusão ESPN e Fox

por Erich Beting - São Paulo (SP)
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Em maio deste ano, o Cade aprovou a fusão entre os canais ESPN e Fox Sports. Desde então, a Disney passou a investir no processo de junção das duas emissoras. Sob o comando de Carlos Maluf, head de esportes do grupo, cada vez mais direitos e profissionais têm sido compartilhados entre as empresas.

Em sua primeira entrevista desde que assumiu a chefia dos dois canais, Maluf fala sobre a fusão, comenta de que forma a Disney encara o aumento da concorrência e mostra como a empresa pretende surfar na onda do streaming.

Máquina do Esporte: O que mudou para a Disney passar a ter as duas marcas para trabalhar?

Carlos Maluf: A Disney, que já era proprietária da ESPN desde 1995, reforçou o seu pilar esportivo ao adquirir a operação da Fox Sports no Brasil, com o processo de fusão com a 21st Century FOX. O portfólio de marcas e franquias mundialmente consagradas da Disney se tornou ainda mais forte, ampliando não somente a variedade de direitos esportivos, como também agregando uma forte equipe de profissionais de uma marca muito admirada pelos fãs de esportes.

ME: De que forma isso modifica o negócio da empresa para o Brasil?

CM: Como empresa também atuante no mercado de esportes, a Disney consolidou seu pilar esportivo no Brasil, disputando a liderança da categoria na TV por assinatura no mercado nacional. Desde que a fusão ocorreu, ESPN e FOX Sports, como grupo, lideraram o segmento esportivo da TV paga no período acumulado entre maio e outubro. Esse dado expressa a força dos canais e também reforça como o trabalho colaborativo da equipe tem sido o diferencial neste processo de integração. Apesar do pouco tempo, muito já foi feito até aqui e os resultados são percebidos no aumento da oferta de conteúdo, bem como na integração das equipes de ESPN e FOX Sports que passaram a jogar como o mesmo time desde o primeiro dia da fusão.

ME: Temos visto o mercado bastante agitado nos últimos meses por conta da pandemia. Como a Disney tem olhado para essas movimentações? De que forma a empresa enxerga o futuro dos direitos de mídia?

CM: O mercado de direitos esportivos tem a transição constante das propriedades como uma de suas principais características. Embora existam, são poucos os casos de ligas que permanecem durante longos períodos com o mesmo parceiro de mídia, em especial com o aumento da demanda de canais e plataformas durante os últimos anos. Acreditamos muito em todo o pacote que oferecemos às ligas parceiras, não somente no que diz respeito às transmissões, mas também em todo o tratamento na cobertura jornalística e na produção de conteúdo para cada uma das propriedades a que temos direito. Atualmente, somadas, ESPN e FOX Sports oferecem uma extensa variedade de direitos esportivos, considerando mais de 20 modalidades diferentes. Um portfólio com tamanha qualidade e diversidade de eventos consolida nossos canais como referência junto ao público fã de esportes. De todo modo, certamente consideramos ampliar a oferta de direitos e estamos em busca de novas aquisições, não somente no futebol, como em outros esportes.

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Carlos Maluf se tornou head de esportes da Disney no Brasil e comanda o processo de fusão dos canais ESPN e Fox Sports
Carlos Maluf se tornou head de esportes da Disney no Brasil e comanda o processo de fusão dos canais ESPN e Fox Sports
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ME: Com a chegada do Disney + ao Brasil, haverá um interesse maior pelo mercado de streaming, além da TV linear?

CM: Após grande expectativa, o Disney+ foi lançado no Brasil neste último dia 17 de novembro, trazendo o extenso e qualificado portfólio de produções Disney e suas franquias para os fãs no Brasil. A plataforma contará com títulos da Disney, Pixar, Marvel, Star Wars e National Geographic, mas não com conteúdo de esportes. Acreditamos muito no conteúdo disponibilizado nas mais diversas plataformas, chegando aos fãs onde quer que eles estejam.

ME: Com a fusão, esperava-se um apetite maior da Disney pela aquisição de direitos, mas a empresa manteve o caminho de priorizar alguns eventos exclusivos em vez de buscar mais propriedades. Por que?

CM: O portfólio de direitos esportivos dos canais ESPN e FOX Sports hoje é bastante extenso e qualificado, o que não nos impede de monitorar o mercado em busca das melhores oportunidades e novas aquisições de eventos que estiverem disponíveis para negociação. De todo modo, sempre pautamos o nosso modelo de negócio na responsabilidade financeira, realizando investimentos de acordo com a nossa estratégia e sem prejudicar os compromissos da empresa.

ME: De que forma o senhor acredita que o mercado ficará nos próximos anos? O streaming é um caminho sem volta, mas será que haverá uma pulverização dos direitos em várias empresas? Por que?

CM: O mercado de conteúdo esportivo tem vivenciado mudanças intensas e rápidas ao longo dos últimos anos. Neste cenário, as empresas tiveram que se adaptar rapidamente e entender quais são as demandas do público, equalizando a oferta de conteúdo com os investimentos realizados. As ligas passaram a analisar outros fatores na negociação que muitas vezes são mais importantes do que os valores comerciais. Acredito muito na complementariedade das plataformas e não na exclusão umas das outras. Existem fãs com os mais diversos perfis, interessados em consumir conteúdo na TV, no streaming e também em outras plataformas. Nosso objetivo é ampliar ao máximo nossos pontos de contato com os fãs de esportes, entregando a melhor e mais diversificada oferta de transmissões e programas multiplataformas, pautados sempre na credibilidade de nossas marcas como referência em conteúdo esportivo.

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