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Futebol / Novos tempos

Facebook economizará em aquisições e ocupará espaço deixado pela TV

Erich Beting Publicado em 04/03/2021, às 09h32

Imagem Facebook economizará em aquisições e ocupará espaço deixado pela TV

A desistência do Facebook em transmitir eventos como Conmebol Libertadores e Champions League a partir de 2022 tem por trás uma nova abordagem que a plataforma dará para o conteúdo de esporte ao vivo. Essa estratégia foi traçada depois de a empresa perceber que ela pode ter o evento ao vivo dentro de sua rede sem precisar desembolsar uma verba por isso.

Em coluna assinada no site Sportico, Rob Shaw, diretor de esportes e parcerias com a mídia do Facebook, afirmou que “caminhamos para um momento crucial no futuro dos direitos esportivos”. De acordo com o executivo, a queda no número de assinantes da TV a cabo e a fuga do público jovem da TV, movimentos que foram acelerados por conta da pandemia, tem colocado em dúvida o modelo tradicional de venda de direitos esportivos. Com isso, segundo Shaw, “o modelo de negócios de transmissão historicamente lucrativo precisa evoluir, ou corre o risco de perder uma geração inteira de fãs”.

A análise do executivo deixa claro onde o Facebook quer chegar ao abandonar a compra de direitos. Em parceria com ligas, clubes e empresas de mídia, a rede social entende que continuará a transmitir dentro de sua plataforma o conteúdo ao vivo, mas não precisará pagar mais por ele.

O primeiro exemplo disso é o acordo com a Ferj e os clubes do Rio de Janeiro para que jogos do Campeonato Carioca transmitidos ao vivo na Record estejam também dentro da plataforma. O modelo adotado este ano no Rio de Janeiro é aquele que o Facebook vai seguir mundialmente.

Rob Shaw, diretor de esportes e parcerias com a mídia do Facebook, acredita em novo modelo de direitos de transmissão no mundo
Divulgação

“Acreditamos que o futuro da distribuição gratuita alimentará um novo modelo de negócios promissor para ligas e redes. Este modelo vai depender - pelo menos do Facebook - mais dos benefícios que advêm do estabelecimento de uma relação direta com os consumidores do que do pagamento de direitos. É certo que ainda não está maduro o suficiente para substituir o que NFL, UEFA e La Liga vão ganhar com seus próximos acordos de televisão. Mas pode complementar o modelo atual de direitos de mídia. E é especialmente relevante para os inúmeros detentores de direitos que não geram taxas significativas de direitos de TV”, afirmou Shaw em sua coluna na Sportico.

A ideia do Facebook é ser a plataforma em que os canais tradicionais de TV também vão se engajar com um público que está distante deles.

“Hoje, os fãs mais jovens são apresentados a Zion Williamson e LaMelo Ball por meio de destaques curtos em plataformas digitais abertas, como Facebook, Instagram, YouTube, Snapchat e Twitter. Esses clipes continuarão sendo extremamente importantes para aumentar o engajamento e a receita. Mas não há como negar o poder dos eventos ao vivo - e agora os jovens fãs não estão recebendo esses eventos onde passam a maior parte do tempo”, complementou o executivo do Facebook.

Shaw citou o próprio caso da parceria do Facebook com a TNT para a transmissão da Champions League no Brasil como exemplo do sucesso do modelo de transmissão simultânea de jogos na TV e na plataforma.

“A transmissão da TNT no Facebook da final da UEFA Champions League de 2020 na América Latina foi a partida de futebol mais assistida na história da nossa plataforma. Simultaneamente, a transmissão de televisão da rede foi o programa de TV paga mais assistido de todos os tempos no Brasil. Isso demonstra que o Facebook não leva uma fatia do bolo. Alcançando novos públicos, ele o faz crescer”, disse.

Se, há meia década, o Facebook apontava para uma nova realidade na venda de direitos de transmissão ao trazer as redes sociais para o jogo da compra de direitos, agora ele começa a tirar o time de campo e aposta na ineficiência da TV em falar com o público jovem para seguir mostrando eventos ao vivo, sem precisar, porém, gastar dinheiro na aquisição de direitos.