A Fifpro, sindicato internacional dos jogadores de futebol profissional, atacou a Fifa após a realização da Copa do Mundo de Clubes 2025, encerrada no domingo (13). Através de um comunicado de seu presidente, Sergio Marchi, a organização acusou a entidade de colocar o crescimento financeiro à frente da saúde dos atletas.
A associação questionou o sucesso da competição e fez duras críticas a Gianni Infantino, presidente da Fifa. A Fifpro interpretou a realização da competição da maneira seguida pela entidade como um desrespeito aos jogadores.
“O que foi apresentado como um festival global de futebol não passou de uma ficção encenada pela Fifa, impulsionada por seu presidente, sem diálogo, sem sensibilidade e sem respeito por aqueles que sustentam o esporte com seus esforços diários”, disse Sergio Marchi em nota oficial publicada em nome da Fifpro.
“Uma encenação grandiloquente que inevitavelmente lembra o ‘pão e circo’ da Roma de Nero, entretenimento para as massas enquanto, por trás das cortinas, a desigualdade, a precariedade e a falta de proteção dos verdadeiros protagonistas se aprofundam”, seguiu.
No início de junho, a Fifpro chegou a emitir um alerta à Fifa por conta do calor intenso nos Estados Unidos durante a disputa do Mundial. A organização voltou a criticar as condições e chegou a acusar a entidade máxima do futebol de “aumentar suas receitas às custas da saúde dos jogadores”.
“O torneio ocorreu em condições inaceitáveis, com partidas sendo disputadas em clima extremamente quente e temperaturas que colocaram em risco a integridade física dos jogadores”, publicou o sindicato.
“Essa situação não só deve ser denunciada, como também fortemente condenada. Em hipótese alguma, isso deve se repetir na Copa do Mundo da FIFA do próximo ano”, acrescentou.
O calendário do futebol internacional também foi alvo de críticas pela Fifpro. O sindicato considera que a quantidade de jogos disputados na elite do futebol internacional é um risco para a saúde física e mental dos atletas.
“Essa forma de organizar torneios, sem ouvir a federação que reúne as associações de jogadores do mundo todo, é unilateral, autoritária e baseada apenas na lógica da rentabilidade econômica, e não da sustentabilidade humana”, defendeu.
A Copa do Mundo de Clubes da Fifa 2025 terminou no domingo (13), com o título do Chelse sobre o Paris Saint-Germain. O Brasil foi representado na competição por Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras.
Confira a nota oficial emitida pela Fifpro na íntegra:
“Embora a recente Copa do Mundo de Clubes da FIFA tenha gerado entusiasmo entre muitos torcedores e permitido que alguns dos maiores nomes do futebol mundial fossem vistos no mesmo torneio, a Fifpro não pode deixar de apontar, com absoluta clareza, que esta competição esconde uma perigosa desconexão com a verdadeira realidade pela qual a maioria dos jogadores de futebol ao redor do mundo está passando.
O que foi apresentado como um festival global de futebol não passou de uma ficção encenada pela FIFA, impulsionada por seu presidente, sem diálogo, sem sensibilidade e sem respeito por aqueles que sustentam o esporte com seus esforços diários. Uma encenação grandiloquente que inevitavelmente lembra o “pão e circo” da Roma de Nero, entretenimento para as massas enquanto, por trás das cortinas, a desigualdade, a precariedade e a falta de proteção dos verdadeiros protagonistas se aprofundam.
A maioria dos jogadores de futebol do mundo não recebe o salário integral, joga apenas alguns meses do ano e o faz sem garantias mínimas de estabilidade, cobertura médica ou condições de trabalho dignas. Essa realidade foi completamente ignorada pela FIFA, que optou por continuar aumentando sua receita às custas do corpo e da saúde dos jogadores.
O torneio também ocorreu em condições inaceitáveis, com partidas sendo disputadas em clima extremamente quente e temperaturas que colocaram em risco a integridade física dos jogadores. Essa situação não só deve ser denunciada, como também fortemente condenada. Em hipótese alguma, isso deve se repetir na Copa do Mundo da FIFA do próximo ano.
A Fifpro vem alertando sobre a saturação do calendário, a falta de descanso físico e mental dos jogadores e a falta de diálogo por parte da FIFA. Essa forma de organizar torneios, sem ouvir a federação que reúne as associações de jogadores do mundo todo, é unilateral, autoritária e baseada apenas na lógica da rentabilidade econômica, e não da sustentabilidade humana.
Não se pode mais brincar com a saúde dos jogadores de futebol para alimentar uma máquina de marketing. Nenhum espetáculo é possível se a voz dos protagonistas for silenciada.
Nós da Fifpro reiteramos nosso compromisso: defenderemos firmemente todos os direitos, denunciaremos todos os abusos e exigiremos que a FIFA adote uma política verdadeiramente inclusiva, que respeite a integridade dos jogadores de futebol e os coloque no centro de cada decisão”.