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FPF barra público em jogos infantis de futebol, para educar adultos violentos

Medida será válida por duas rodadas, em partidas do Campeonato Paulista Sub-11 e Sub-12, buscando conter escalada de agressividade

Disputa de bola entre atletas das categorias de base da Ferroviária e do Taquaritinga - Guilherme Veiga / Taquaritinga

A Federação Paulista de Futebol (FPF) resolveu radicalizar na tentativa de conter a escalada de agressividade de torcedores adultos, em jogos das categorias infantis de futebol.

A entidade anunciou, nesta sexta-feira (29), que todas as partidas das rodadas 16 e 17 do Campeonato Paulista Sub-11 e Sub-12, a serem realizadas nos dois próximos domingos (31 e 7), ocorrerão com portões fechados ao público.

De acordo com a FPF, a medida tem “caráter educativo” e foi recomendada pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol Paulista (TJD-SP), por conta do “crescente número de casos de mau comportamento dos torcedores”.

Conforme apurou a Máquina do Esporte junto à entidade, a decisão de barrar o público nos jogos da competição não foi motivado por um episódio específico, mas por diversos casos recorrentes registrados nos últimos tempos.

Iniciado em junho, o Campeonato Paulista Sub-11 e Sub-12 já registrou 46 ocorrências de comportamento agressivo nas arquibancadas. Para se ter uma ideia, a quantia supera de longe o total contabilizado na edição do ano passado, que foi de 34.

Os casos registrados incluem ofensas a crianças (inclusive com crimes de injúria racial e homofobia), brigas, ameaças e outros atos de violência e hostilidade. Ainda segundo a FPF, a maioria dos atos foi praticada por pais e responsáveis pelos atletas.

“Essa é uma medida educativa, que reforça nosso compromisso em colocar a integridade e a formação das crianças acima de qualquer outro interesse. O futebol nessa faixa etária deve ser sinônimo de aprendizado, convivência, diversão e alegria, e é esse padrão de arquibancada que trabalharemos para garantir. Quando atitudes de torcedores ameaçam esse ambiente, precisamos agir. Pais, educadores, dirigentes: precisamos ser e dar exemplo para as crianças”, diz Fábio Moraes, diretor executivo de competições da FPF.

Campanha

Motivada pela escalada de violência nos jogos infantis, a decisão da FPF ocorre, por coincidência, numa época em que ganhou força o debate sobre proteção a crianças e adolescentes.

Há algumas semanas, o youtuber paranaense Felipe Bressanim Pereira, mais conhecido como Felca, publicou um vídeo denunciando o que chamou de adultização de crianças e adolescentes, que são expostas nas redes por influenciadores, em situações sexualizadas ou até mesmo humilhantes de vexatórias.

Vale lembrar que as ações da FPF buscando conter a violência nos jogos das categorias infantis já ocorrem há mais tempo.

Em dezembro de 2024, a entidade lançou uma campanha direcionada aos pais de atletas que disputam os campeonatos estaduais de base.

No vídeo da iniciativa, a FPF simulou o comportamento agressivo adotado por alguns pais, durante os jogos das categorias infantis do Campeonato Paulista.

Os adultos eram convidados a ler em um tablet frases como “você não acerta uma, seu burro!”, que, supostamente, teriam sido ditas por professores a alunos, em sala de aula.

No fim, eles descobrem que, na verdade, as ofensas foram proferidas em jogos das categorias de base, por pais e familiares de crianças.

“Por que na escola não pode e no futebol pode?”, questiona a campanha. A FPF tem utilizado o vídeo em palestras, cursos e eventos relacionados à formação de atletas.