Gianni Infantino recebeu “apoio total” da alta direção da Fifa após reunião realizada em Rabat, no Marrocos, nesta quarta-feira (5), de acordo com comunicado da própria entidade.
O encontro ocorreu em meio à crise gerada pela proposta de lançamento da Fifa Forward Enterprise (FFE), que previa a venda de 20% das operações comerciais e eventos da entidade a investidores privados ligados à família de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.
Diante de fortes críticas vindas principalmente de Uefa (Confederação Europeia), Concacaf (Confederação da América do Norte, Central e do Caribe) e AFC (Confederação Asiática), Infantino teve que abandonar sua intenção.
Reunião
Segundo comunicado oficial, Infantino manteve o respaldo do secretário-geral Mattias Grafstrom, que o havia criticado publicamente, e de membros do Conselho de Administração da Fifa. O dirigente afirmou, em suas redes sociais, que os dirigentes “tomaram as medidas necessárias para reforçar a confiança nas estruturas de governança e gestão da Fifa”.
Segundo ele, tanto ele como Grafström receberam apoio para que “sua missão e sua responsabilidade para com o futebol mundial continuem a ser plenamente cumpridas”.
“Também concordamos que a Fifa não tolerará quaisquer ataques à sua integridade e tomará todas as medidas necessárias para defender a sua reputação”, acrescentou Infantino.
Grafstrom, que não havia sido informado sobre a proposta, já havia criticado o plano de vender direitos comerciais do futebol em carta enviada aos funcionários, classificando a situação como uma “série de eventos triste e repreensível”.
Erros
A reunião contou com a presença de dirigentes como Elkhan Mammadov (chefe das federações membro da Fifa), Emilio Garcia Silvero (diretor jurídico), Thomas Peyer (diretor financeiro), Daniel O’Toole (chefe de gabinete), Bryan Swanson (diretor de mídia) e Kimberly Morris (diretora de recursos humanos).
Kevin Lamour, diretor de operações, outro executivo da Fifa que havia criticado Infantino publicamente, não participou.
A Fifa reconheceu erros no processo de constituição da FFE e afirmou que não houve intenção de excluir o Conselho e as associações membro de decidir sobre o tema.
A entidade declarou que um pedido de desculpas foi apresentado às 211 federações nacionais e que uma revisão será realizada, com relatório a ser entregue na próxima reunião do Conselho.
Oposição
Apesar do apoio interno, Infantino enfrenta pressão externa. O presidente da Federação Jordaniana de Futebol, Príncipe Ali bin Al Hussein, acusou a Fifa de “chantagem” em declaração publicada nas redes sociais.
“Não o apoiamos antes e certamente não o apoiaremos agora. Mas toda a situação se resume a chantagem e nos recusamos a ceder a isso”, escreveu.
A Uefa pediu a saída de Infantino, alegando perda de confiança em sua liderança. A Federação Inglesa deve seguir a decisão da Federação de Gales e retirar apoio à reeleição do presidente. Já a Confederação Asiática de Futebol e a Concacaf não pediram mudanças diretas, mas exigem respostas sobre a condução da entidade.
O prazo para apresentação de uma candidatura de oposição à presidência da Fifa termina em 18 de novembro. A eleição está marcada para março de 2027.
