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Grupo Fictor pede recuperação judicial e põe em xeque patrocínio a Palmeiras e CBAt

Pedido à Justiça envolve compromissos de R$ 4,25 bilhões e pode impactar contratos assinados por empresa em 2025

Marca da Fictor é exposta nas costas da camisa do time profissional - Fabio Menotti/Palmeiras

Marca da Fictor é exposta nas costas da camisa do time profissional do Palmeiras - Fabio Menotti/Palmeiras

O Grupo Fictor protocolou no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), no último domingo (1º), pedido de recuperação judicial para a Fictor Holding e a Fictor Invest.

A medida busca reorganizar compromissos financeiros que somam mais de R$ 4,25 bilhões. No pedido, a empresa promete quitar esses débitos sem deságio, preservando mais de 10 mil empregos diretos e indiretos.

O pedido de recuperação judicial coloca em dúvida a continuidade dos patrocínios da empresa ao Palmeiras e à Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), firmados no ano passado.

Palmeiras

A Fictor conta com exposição nas costas da camisa do time profissional do Verdão, além de ser a patrocinadora máster das categorias de base, em contrato de R$ 30 milhões anuais. O acordo, válido por três anos, prorrogáveis por mais quatro, pode ser rescindido já em 2026.

Segundo a Máquina do Esporte apurou, a continuidade desses investimentos dependerá da evolução do processo de renegociação financeira. No clube, há quem acredite que a rescisão seja inevitável. Oficialmente, o time paulista afirma que ainda analisa o caso.

“O Palmeiras tomou ciência na manhã desta segunda-feira (2), por meio da imprensa, do pedido de recuperação judicial realizado pelo Grupo Fictor. O caso está sob análise do Departamento Jurídico do clube para que sejam adotadas as medidas pertinentes”, respondeu o clube.

Atletismo

Em novembro, a Fictor anunciou patrocínio à CBAt, em contrato até 2029. Pelo acordo, a entidade receberia R$ 6 milhões por ano. No entanto, o atletismo pode ficar sem a parceria apenas três meses após o anúncio oficial, na sede da empresa, em São Paulo.

O patrocínio ao atletismo envolvia financiamento aos Centros de Formação de Atletismo (CFAs), que contam com 60 unidades espalhadas pelo Brasil. Outro pilar da parceria era o Campeonato Brasileiro de Corrida de Rua, com cinco etapas espalhadas em cada região do país, com uma prova final, que provavelmente aconteceria em São Paulo.

“A CBAt tomou ciência do assunto pelas notícias do dia. Havia participado de uma reunião com os representantes da empresa anteriormente, está aguardando e não tem nenhuma posição oficial. Não houve nenhum comunicado de quebra de contrato”, afirma a confederação.

Crise

A solicitação de recuperação judicial da Fictor ocorre após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro. O episódio afetou a reputação do grupo e, segundo a empresa, gerou especulações de mercado que comprometeram a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding.

De acordo com comunicado da empresa, desde sua fundação em 2007, o grupo não havia registrado atrasos em pagamentos. Para enfrentar a crise, a companhia reduziu estrutura física e quadro de colaboradores antes do pedido de recuperação judicial, com o objetivo de agilizar indenizações trabalhistas.

O plano prevê ainda tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por 180 dias, período em que será negociado um plano de recuperação.

Segundo o advogado Carlos Deneszczuk, do escritório Dasa Advogados, os ativos operacionais seguem funcionando. A principal subsidiária industrial, a Fictor Alimentos S.A., mantém unidades em Minas Gerais e Rio de Janeiro, com 3.500 empregos diretos e 10.000 indiretos. As subsidiárias não estão incluídas no pedido e devem seguir com contratos e projetos normalmente.