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Futebol / É guerra

Justiça anula eleição de 2018 da CBF e aquece racha político no futebol

Redação Publicado em 27/07/2021, às 10h40

Imagem Justiça anula eleição de 2018 da CBF e aquece racha político no futebol
Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, foi nomeado pela Justiça como um dos interventores da CBF após eleição ser anulada
Divulgação/CBF

A disputa de poder entre os principais clubes do país e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (26), com uma decisão da Justiça do Rio de Janeiro anulando o resultado da eleição para a presidência da entidade em 2018 e nomeando os presidentes do Flamengo (Rodolfo Landim) e da Federação Paulista de Futebol (FPF) (Reinaldo Carneiro Bastos) como interventores da CBF por 30 dias para organizarem a realização de um novo pleito.

Em comunicado, a CBF informou que vai recorrer da decisão concedida pelo juiz da 2ª Vara Cível da Barra da Tijuca do Tribunal de Justiça e, ainda, alega que o juiz que concedeu a decisão agiu contrariamente à Lei Pelé ao tomar sua decisão.

Já os presidentes do Flamengo e da FPF emitiram uma nota oficial conjunta afirmando que “analisarão em conjunto com federações, clubes e advogados a decisão da Justiça” e que, só depois disso, anunciarão qual decisão será tomada. Para assumirem a liderança da CBF, Landim e Bastos precisariam deixar seus cargos atuais.

A decisão judicial foi tomada com base em uma ação movida pelo Ministério Público em 2017, antes da eleição na CBF, questionando a mudança de estatuto da entidade em 2015, quando uma manobra feita pela diretoria da confederação junto às federações estaduais reduziu o peso do voto dos clubes e criou barreiras para um candidato postular o cargo da presidência.

As mudanças foram vistas como um golpe para minar a força dos clubes e brecar o surgimento de uma oposição ao grupo comandado à época por Marco Polo Del Nero e Rogério Caboclo.

Foi exatamente contra essa mudança estatutária que os clubes se rebelaram no mês passado, quando presidentes de 19 dos 20 times da Série A do Brasileirão assinaram uma carta exigindo nova alteração no estatuto. O desejo das equipes é que o peso dos votos das agremiações das Séries A e B do Brasileirão seja equiparado ao das federações e que um postulante ao cargo de presidente da CBF precise, para se candidatar, de apenas 13 entidades esportivas, não mais de oito federações e cinco clubes.

Pela nota conjunta emitida por Flamengo e FPF, a tendência é que, nos próximos dias, um intenso debate entre as principais lideranças do futebol aconteça e direcione para alguma solução o racha político que existe hoje no futebol.

A crise foi deflagrada no início de junho, quando o Comitê de Ética da CBF acatou denúncia de uma funcionária contra Rogério Caboclo por assédio moral e sexual. O presidente foi desde então afastado de suas funções. Pouco depois, os clubes entraram em cena exigindo a mudança estatutária e anunciando que criarão uma liga independente para organizar os campeonatos das Séries A e B.

Atualmente, a CBF é presidida interinamente por Antonio Carlos Nunes, conhecido como Coronel Nunes. Em pouco tempo no cargo, ele já fez uma mudança importante ao demitir Walter Feldman do posto de secretário geral da entidade, abrindo uma disputa interna na atual diretoria da CBF.