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Futebol / "Fogo no parquinho"

Messi, venda de ações, discussões no Twitter e até Superliga: LaLiga mergulha no caos

Wagner Giannella Publicado em 06/08/2021, às 15h04

Imagem Messi, venda de ações, discussões no Twitter e até Superliga: LaLiga mergulha no caos

Com a temporada 2021/2022 prestes a começar na próxima sexta-feira (13), a LaLiga mergulhou em um verdadeiro caos em questão de 24 horas. A saída de Messi do Barcelona por uma situação de fair play financeiro, a tentativa de venda de 10% das ações para o fundo de investimento privado CVC Capital Partners e ainda resquícios da tentativa de criação da Superliga estão impactando de forma veemente o futebol espanhol.

O estopim para o caos foi a veiculação da saída de Messi feita pelo Barcelona nesta quinta-feira (5). Após a notícia, o presidente do clube, Joan Laporta, concedeu uma entrevista coletiva em que acabou colocando ainda mais “fogo no parquinho”. Na conversa com os jornalistas, Laporta deixou claro que a questão da não renovação com o astro argentino se deveu única e exclusivamente por questões econômicas em razão do fair play financeiro imposto pela LaLiga.

“Infelizmente, temos uma instituição com 122 anos de história que está acima de tudo, de todos os jogadores, inclusive do melhor jogador do mundo, do presidente. Ele nos deu tanta coisa, estaremos agradecidos eternamente. Os motivos pelos quais não pudemos e decidimos (não renovar) foram as razões econômicas muito claras em que se encontra a entidade”, afirmou o presidente do Barça.

Joan Laporta afirmou que está muito triste pela saída de Messi, mas que fez o melhor pelo Barcelona
Reprodução / Twitter (@fcbarcelona_br)

A situação envolvendo Messi e o Barcelona também resvala em outra questão veiculada pela Máquina do Esporte na última quarta-feira (4), de que a LaLiga vendeu 10% de suas ações para a fundo de investimento privado CVC Capital Partners por € 2,7 bilhões. Com o negócio, haverá a criação de uma empresa que vai receber os patrocínios, licenças, tecnologia e a LaLiga Business School.

Caso aceitasse ser incluído no acordo, o Barcelona receberia € 270 milhões. No entanto, entre outras coisas, teria que comprometer parte dos direitos audiovisuais do clube pelos próximos 50 anos, o que não agradou aos catalães. Dessa forma, na própria quinta-feira (5), poucas horas após informar que não renovaria com Messi por razões econômicas, o Barcelona soltou um comunicado se posicionando contra o acordo. Pouco antes, o arquirrival Real Madrid já havia feito o mesmo.

“O clube considera inadequada a assinatura de um contrato de meio século diante das incertezas que sempre cercam o mundo do futebol”, revelou o comunicado oficial do Barcelona, que, assim como o Real Madrid, também criticou a falta de transparência de alguns termos do acordo.

A “bagunça”, no entanto, não parou por aí. Ainda durante a coletiva de Joan Laporta, o presidente da LaLiga, Javier Tebas, se enfureceu no Twitter. Em sua conta pessoal, o mandatário escreveu:

“Olá, Joan Laporta. Você sabe que a operação com a CVC não hipoteca os direitos de TV do Barcelona por 50 anos, o que faz é que eles tenham mais valor para todos os clubes e assim você HIPOTEQUE OS SEUS BANCOS e resolva a grande dívida (...).

#Solução

Você disse recentemente que estávamos falidos. Agora que estamos avaliados em € 24,250 bilhões e temos acesso a parceiros PARA CRESCER, você está preocupado com a receita futura da LaLiga que você deu por morta. Você provou estar errado. Parece que os jovens vão nos ver.”

Nesta sexta-feira (6) pela manhã, o site espanhol especializado na indústria esportiva 2Playbook (que tem a LaLiga como um dos anunciantes) informou que o Barcelona havia dado o OK para o acordo entre LaLiga e CVC, dizendo, inclusive, que as partes tiveram sete reuniões para chegarem à aprovação, com o Barcelona pedindo até para acelerar o processo. No entanto, em seu Twitter, o site afirmou que, nesta quinta-feira (5), “algo deu errado”.

Em cima do tuíte do 2Playbook, Javier Tebas respondeu:

“Joan Laporta, ele me explicou perfeitamente a operação, pois eram contas de participação e deram seu apoio. O que aconteceu? No Barcelona, tem um executivo que conversa muito com...

Na Superliga, você tinha que garantir € 500 milhões com direitos de TV.”

Vale lembrar que, no ano passado, ainda sem a história da Superliga ter ido à tona, a LaLiga se colocou ao lado do Barcelona na questão da manutenção do contrato de Lionel Messi com o clube catalão por mais uma temporada. Agora, após o racha criado por Barcelona e Real Madrid como dois dos principais fundadores da Superliga, a LaLiga parece ter decidido mudar de posição e tem, ao seu lado, o poder instituído pelo fair play financeiro.

Com ainda uma semana restando para a temporada 2021/2022 começar, parece que, ao que tudo indica, o “fogo no parquinho” está bem longe de ser controlado. E resta saber se alguém terá capacidade de se candidatar a bombeiro nessa briga de gigantes dentro do futebol espanhol.