A temporada de 2026 da Major League Soccer (MLS) começará no sábado em um cenário financeiro de forte expansão financeira no topo da tabela, evidenciado pela consolidação do Inter Miami como a principal força comercial da liga.
Impulsionada pela presença de grandes nomes do futebol mundial e pela iminência da Copa do Mundo na América do Norte, a competição vive um momento de transição de calendário e de acordos de transmissão, ao mesmo tempo em que precisa gerenciar uma crescente disparidade de receitas entre suas franquias.
Segundo dados calculados pelo veículo especializado norte-americano Sportico, o valor coletivo das 30 equipes da liga alcançou a marca de US$ 23 bilhões, com uma média de US$ 767 milhões por clube. Os números representam um crescimento de 6% em relação ao ano anterior.
Esse avanço, porém, está concentrado nos clubes mais ricos. O Inter Miami assumiu a liderança do ranking com uma avaliação de US$ 1,45 bilhão, registrando a maior alta da liga, com 22%. O Los Angeles FC aparece logo em seguida, valendo US$ 1,4 bilhão, um aumento de 9%.
Por outro lado, o terço inferior da liga cresceu apenas 2% em média, e equipes como San Jose Earthquakes, Vancouver Whitecaps e CF Montréal registraram queda em seus valores de mercado.
Disparidade
O impacto dessa divisão financeira é expressivo quando comparado a outros esportes norte-americanos. O Inter Miami vale hoje 3,4 vezes mais do que o Montreal, avaliado em US$ 430 milhões. Essa diferença supera as margens de disparidade encontradas na NBA e na NFL.
Apesar desse desnível, o faturamento global da liga tem se mostrado robusto. Na última temporada, as franquias geraram um total estimado de US$ 2,5 bilhões, resultando em uma média de US$ 83 milhões por clube, impulsionadas pelo aumento no preço dos ingressos, vendas de áreas premium e um salto de mais de 10% nas receitas de patrocínio.
Comercialmente, o Inter Miami atua em um patamar acima do restante da liga. A equipe ultrapassou os US$ 200 milhões em receitas locais no último ano e a expectativa é que alcance a marca de US$ 250 milhões em 2026, impulsionada pela inauguração de seu novo estádio de 25 mil lugares, que faz parte de um complexo de US$ 1 bilhão.
O sucesso do time liderado por Lionel Messi, aliado a outros destaques comerciais como a presença de Son Heung-Min no LAFC e a estreia do San Diego FC, avaliado em US$ 765 milhões em seu primeiro ano, mostram o potencial de teto da liga.
Mudanças
Para sustentar e ampliar esse crescimento, a MLS projeta mudanças estruturais importantes em sua operação. A mais significativa é a alteração do calendário, que a partir de 2027 passará a seguir o modelo adotado pela Fifa e pelas ligas europeias, começando no final do verão no hemisfério norte e terminando em maio.
A medida visa evitar o choque direto de audiência com a temporada regular do futebol americano no outono e facilitar a integração com a janela de transferências do mercado internacional.
Paralelamente, o modelo de transmissão também passou por ajustes. O acordo com a Apple foi revisado, com o término antecipado para 2029 e a eliminação do formato de assinatura fechada do MLS Season Pass.
O objetivo da liga e das equipes com o fim dessa barreira de pagamento é aumentar a audiência, o que pode elevar o valor dos patrocínios. Pelos termos atuais, a MLS receberá US$ 200 milhões com a temporada de 2026.
