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Futebol / Campeão e rebaixados

Opinião: Brasileirão 2020 ratifica abismo no Rio de Janeiro

Duda Lopes Publicado em 26/02/2021, às 03h14

Imagem Opinião: Brasileirão 2020 ratifica abismo no Rio de Janeiro

O Brasileirão 2020 terminou, mas a cidade do time campeão não pôde estar totalmente em festa. O Rio de Janeiro viu o Flamengo consagrado mais uma vez, mas também acompanhou a melancólica saga de Botafogo e Vasco. Nunca a distância entre as grandes equipes da cidade foi tão grande.

O bicampeonato do Flamengo fecha mais uma temporada mágica do clube da Gávea, mas, na mesma proporção, deixa seus rivais em estado lamentável. O Botafogo foi rebaixado com uma das piores campanhas da história dos pontos corridos. O Vasco chegou ao quarto rebaixamento neste século.

A diferença é logo anunciada quando os clubes se planejaram para 2020. Na temporada anterior, o Flamengo faturou R$ 841 milhões, segundo o Itaú BBA, o que garantiu a manutenção de seus astros e ainda possibilitou novos reforços. Vasco e Botafogo faturaram R$ 199 e 186 milhões respectivamente, muito longe do rival.

Flamengo venceu o Brasileirão pelo segundo ano consecutivo (Foto: Alexandre Vidal / CRF)

Em teoria, ainda assim eles ganharam mais do que o dobro de equipes como Ceará e Fortaleza, que permaneceram na Série A. Mas a prática é cruel. Com anos de gestões catastróficas, a dupla carioca mantém as finanças constantemente engessadas. Como comparação, em 2019, o Botafogo fechou as contas com mais de R$ 700 milhões em dívidas, contra R$ 16 milhões do Ceará.

As duas equipes disputarão a Série B em 2021, mas terão mais do que pensar do que as disputas em campo. Terão que repensar seu papel no futebol brasileiro. Porque se continuarem pensando como protagonistas, estão fadados a naufragar.

Após o momento de reestruturação, que insiste em não chegar para os dois clubes, terão que pensar em qual lugar estarão. O Rio de Janeiro é a segunda maior economia do país, mas dificilmente consegue sustentar quatro equipes na posição de liderança do futebol brasileiro. Não há mercado para isso, especialmente quando o Flamengo soma mais força a cada dia.

O Flamengo não está em outro patamar, mas surfa no bom momento criado por uma gestão anterior. Domina o futebol brasileiro como já fizeram Corinthians e São Paulo em anos recentes. E a soma de bons resultados e gestão mais responsável há alguns anos deu margem para a equipe sugar recursos de seus rivais.

No fim, o próprio Flamengo deve sofrer com a falta de rivais de mesmo nível em sua cidade, mas dificilmente voltará a dividir espaço com a mesma força de outras três equipes. Botafogo, Vasco e Fluminense precisam se decidir quem assumirá esse papel. Não será fácil; nunca existiu um abismo tão grande entre as equipes.