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Futebol / Mau exemplo

Opinião: Em dois dias, futebol brasileiro mostrou por que falha no Covid

Duda Lopes Publicado em 15/03/2021, às 23h19

Imagem Opinião: Em dois dias, futebol brasileiro mostrou por que falha no Covid

Federação, clubes, dirigentes e jogadores. Todos com falhas complicadas em relação à prevenção do Covid-19. Em dois dias, o futebol brasileiro fez questão de gritar o porquê de a paralisação não ser uma ideia absurda. Assim como uma pequena parte da população do país, há o espírito de “ninguém respeita nada” dentro do esporte.

Em curto prazo de tempo, todas as esferas mostraram níveis duvidosos de respeito à doença que já matou 280 mil pessoas no país, a maior tragédia da nossa história.

Começou com um jogador, Gabriel Barbosa, que resolveu ir a um cassino ilegal em São Paulo. Passou por um dirigente, Muricy Ramalho, visto batendo boca por não conseguir acessar a uma praia. Chegou a um clube, com o pedido de demissão do médico Ivan Grava do Corinthians. O profissional ficou insatisfeito com os desrespeitos aos protocolos contra o Covid.

Por fim, chegou a Federação Paulista, que oficializou uma partida do Paulistão em Belo Horizonte. A entidade mostrou que, entre obedecer a uma ordem do Governo ou dar um jeitinho para manter os interesses financeiros, a segunda opção fala mais alto.

Palmeiras jogará em Belo Horizonte para driblar regra do Governo de São Paulo (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Durante toda a pandemia, o esporte tem feito um papel ridículo e insensível frente às mortes que se espalham em todo o mundo. Da insistência do COI pela manutenção dos Jogos Olímpicos ano passado à surreal discussão brasileira sobre a volta do público nas arenas, poucos passaram imunes a um forte dano de imagem.

No Brasil, aliás, a situação se agrava. Primeiro porque, claro, o país vive a pior situação do Covid-19 em todo o mundo. Mas, além disso, há diversas demonstrações de que, sozinhos, os agentes do esporte fazem muito pouco pela situação. E isso é muito grave.

O esporte deveria fazer rigorosamente o papel contrário. Se soubesse mostrar como seguir protocolos e como lidar com situações de risco, talvez a presença do futebol na TV servisse de plataforma para a prevenção. Seria um serviço social inesquecível para o segmento.

Mas não é o que acontece. O futebol insiste em refletir os piores valores. É o “meu jeito”, é a “minha praia”, é o “meu lazer”, é aquela brecha no regulamento para se dar bem.

Não é por acaso que o esporte termina nas mãos de Governo e Ministério Público em São Paulo. Por si só, seria muito difícil...