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Futebol / Copa do Mundo

Presidente da FIFA diz que trabalhadores obtêm "dignidade e orgulho" no Catar

Segundo jornal britânico, 6.500 operários morreram em obras no país-sede da Copa do Mundo

Redação - São Paulo (SP) Publicado em 03/05/2022, às 08h55 - Atualizado às 08h57

Gianni Infantino afirmou que trabalhadores ganharam "dignidade e orgulho" no Catar - Divulgação / FIFA
Gianni Infantino afirmou que trabalhadores ganharam "dignidade e orgulho" no Catar - Divulgação / FIFA

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, afirmou que os migrantes no Catar, sede da Copa do Mundo de 2022, se orgulham do trabalho árduo que fizeram nas obras de construção dos estádios que serão utilizados no evento.

Durante a conferência global do Milken Institute, em Los Angeles (EUA), um evento de empresários, o dirigente falou sobre “seu trabalho para promover a igualdade no esporte profissional, dentro e fora do campo, e refletir sobre os esforços para criar espaços inclusivos na indústria”. Pouco depois, foi questionado se ajudaria as famílias de trabalhadores que morreram no Catar durante a construção dos estádios da Copa do Mundo 2022.

“Não nos esqueçamos de uma coisa quando falamos sobre este tema, que é o trabalho, mesmo trabalho duro. A América é um país de imigração. Meus pais também imigraram da Itália para a Suíça. Não tão longe, mas ainda assim”, afirmou Infantino.

“Quando você dá trabalho a alguém, mesmo em condições difíceis, você lhe dá dignidade e orgulho. Não é caridade. Você não faz caridade. Você não dá algo a alguém e diz: ‘Fique onde está. Eu te dou algo e me sinto bem‘”, acrescentou o dirigente.

No ano passado, o jornal britânico The Guardian informou que 6.500 trabalhadores migrantes morreram durante a construção dos estádios e de obras de infraestrutura para a Copa do Mundo desde 2010, quando a FIFA concedeu o evento ao Catar.

Na última década, as ONGs Human Rights Watch, e a Anistia Internacional, além de vários meios de comunicação, documentaram abusos trabalhistas no Catar. Os organizadores do Mundial e a FIFA sempre insistiram que as reformas trabalhistas do país árabe melhoraram a vida dos trabalhadores.

“Agora, 6 mil [trabalhadores] podem ter morrido em outras obras e assim por diante. E, claro, a FIFA não é a polícia do mundo ou responsável por tudo o que acontece ao redor do mundo. Mas graças à FIFA, graças ao futebol, conseguimos abordar a situação de todos os 1,5 milhão de trabalhadores que trabalham no Catar”, disse Infantino.

Não é a primeira vez nos últimos meses que o presidente da FIFA fica constrangido em um evento público por causa de problemas humanitários. Em uma sessão do Conselho da Europa em janeiro, Infantino falou sobre a crise migratória africana e defendeu a Copa do Mundo bienal como uma solução, o que causou uma enxurrada de críticas ao dirigente. Mais tarde, em um comunicado, ele disse que suas palavras foram mal-interpretadas.