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Futebol / Gestão

Presidente da Federação da Noruega critica direitos humanos no Catar e constrange FIFA

Lise Klaveness pediu liberdade à população LGBTQIA+ e segurança a trabalhadores no país-sede da Copa do Mundo

Redação - São Paulo (SP) Publicado em 31/03/2022, às 11h20 - Atualizado às 11h28

Lise Klaveness, presidente da Associação Norueguesa de Futebol, criticou a FIFA por sediar a Copa no Catar - Thomas Brekke Sæteren / NFF
Lise Klaveness, presidente da Associação Norueguesa de Futebol, criticou a FIFA por sediar a Copa no Catar - Thomas Brekke Sæteren / NFF

Lise Klaveness, presidente da Associação Norueguesa de Futebol, criticou a FIFA por sediar a Copa do Mundo no Catar, país com histórico de violação de direitos trabalhistas de imigrantes e opressão à comunidade LGBTQIA+.

Em um discurso durante um Congresso da FIFA, Klaveness pediu reparação às famílias de trabalhadores que morreram durante a construção de estádios da Copa do Mundo e defesa dos princípios básicos de direitos humanos. Primeira mulher a ocupar a presidência da federação de seu país, ela falou na presença do primeiro-ministro do Catar, Khalid ibn Khalifa ibn Abdul Aziz Al Thani.

“Não há espaço para empregadores que não garantam a liberdade e a segurança dos trabalhadores da Copa do Mundo. Não há espaço para líderes que não podem sediar o jogo feminino. Não há espaço para anfitriões que não podem garantir legalmente a segurança e o respeito das pessoas LGBTQIA+ que vêm a este teatro dos sonhos”, afirmou Klaveness.

“Os trabalhadores imigrantes incapacitados ou as famílias daqueles que morreram na preparação para a Copa do Mundo devem ser amparados”, acrescentou a dirigente.

No ano passado, a federação norueguesa chegou a considerar um boicote à Copa do Catar, mas seus membros votaram pelo diálogo. Em campo, porém, a Noruega acabou ficando fora da Copa do Mundo.

A falta de diálogo foi a acusação feita por Hassan Al-Thawadi, secretário-geral do Comitê Supremo de Entrega e Legado, responsável pela organização do Mundial, contra Klaveness.

“Ela não tentou dialogar. Sempre tivemos nossas portas abertas para qualquer um se educar antes de fazer qualquer julgamento”, respondeu Al-Thawadi, enraivecido.

A fala do dirigente do Catar foi precedida por uma breve intervenção de Jorge Salomon, presidente da Federação de Honduras, também fora da Copa do Mundo.

“Este não é o palco certo, não é o fórum certo. O futebol nos traz aqui, não percamos o foco”, discordou o hondurenho.

No discurso de encerramento de Gianni Infantino, a FIFA exibiu um vídeo que mostrava com entusiasmo as reformas trabalhistas feitas no Catar desde sua chegada à presidência da federação de futebol. “O trabalho que tem sido feito é exemplar”, destacou o presidente da FIFA.