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Presidente do Flamengo critica divisão de receitas e diz não a memorando da liga

Luiz Eduardo Baptista, presidente do clube, não concorda com teto de 3,5 vezes entre clube mais bem remunerado e último colocado

Luiz Eduardo Baptista, durante entrevista para a Flamengo TV - Reprodução / YouTube

Luiz Eduardo Baptista, durante entrevista para a Flamengo TV - Reprodução / YouTube

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, afirmou, em entrevista à Flamengo TV, que não aceita uma divisão de receita mais igualitária, premissa para a formação de uma liga de clubes, que está sendo discutida por dirigentes da Liga Forte União (LFU) e da Liga do Futebol Brasileiro (Libra).

“Sabe quando que eu vou aceitar que eu receba no máximo 3,5 vezes a mais do que quem é pequeno? Nunca. Nunca não vai acontecer esse acordo nestas condições”, afirmou o dirigente fazendo um gesto de indignação.

“Isso é um processo de desapropriação de um ativo que é nosso, por nenhuma razão, por nenhum mérito, nenhum critério que possa ser aventado”, acrescentou.

O Flamengo é um dos três times que não aceitaram o memorando de entendimento (Memorandum of Understanding ou MOU, na sigla em inglês) que está sendo discutido entre os dirigentes de Libra e LFU. Segundo a Máquina do Esporte apurou, os outros foram Palmeiras e Corinthians, embora seus dirigentes ainda não tenham se pronunciado publicamente sobre o assunto.

O Flamengo se incomodou com os termos do acordo, que estabeleceram que o clube mais bem remunerado pelas receitas comerciais geradas pela liga brasileira ganhasse no máximo 3,5 vezes a mais que equipe que fosse receber a menor cota, normalmente a última colocada.

“Porque, no fim das contas, o discurso é lindo. Mas, na prática, todo mundo ganha dinheiro e o Flamengo perder? Quer dizer, Flamengo não vai ser tolo”, afirmou Bap.

Desigualdade

A distribuição de receita que consta no MOU discutido pelos clubes ainda é bastante desigual se comparada à da Premier League (EPL), a maior liga nacional de futebol do planeta.

Segundo a tabela de distribuição de receita da temporada 2023/2024, a última divulgada pela direção da liga, o campeão Manchester City, recebeu premiação de £ 175,9 milhões. Já o Sheffield United, último colocado e rebaixado à Championship, a segunda divisão inglesa, ficou com £ 109,7 milhões. Ou seja, o campeão recebeu 1,6 vez a mais do que o lanterna do campeonato.

Bap também conclamou os outros clubes de maior torcida a não aderirem ao modelo que está sendo discutido por LFU e Libra.

“Você que é torcedor do São Paulo, do Palmeiras, do Corinthians e do Vasco, devia estar atento também. Porque esses cinco clubes fazem mais de 50% da audiência no Brasil. Deviam estar preocupados com esse modelo, porque isso vai tirar dinheiro de vocês. Se o tamanho do bolo não cresce, quem vai perder? São os maiores”, comentou o presidente rubro-negro.

Luiz Eduardo Baptista, durante entrevista para a Flamengo TV - Reprodução / YouTube
Bap defendeu que a liga discuta questões de governança e Fair Play Financeiro – Reprodução / YouTube

Placas

Outro incômodo de Bap é em relação à unificação de alguns ativos comerciais, como a comercialização das placas publicitárias nos estádios. Atualmente, o Flamengo possui um contrato individual vantajoso com a Brax Sports Assets pelas placas do estádio do Maracanã.

“Eu faço [R$] 65 milhões por ano com as placas. Tem clube da Série A que faz [R$] 5 [milhões”, contou o flamenguista.

“Eu faço 12 vezes mais do que ele. Vou botar os [R$] 5 [milhões] dele com os meus [R$] 65 [milhões] para fazer [R$] 70 [milhões]? Para eu ficar com [R$] 35 [milhões], ele ficar com [R$] 35 [milhões]? Quem em sã consciência faria isso? Ninguém”, completou.

A ideia do MOU, como ocorre nas grandes ligas europeias, é que as placas publicitárias das arenas sejam comercializadas de forma conjunta.

A distribuição dos ganhos não seguiria, ao contrário do que o dirigente deu a entender, um modelo totalmente igualitário. Seria dividida, assim como as demais receitas, no modelo 40% igualitário, 30% por performance e 30% por audiência.

Os critérios desse último item ainda não foram claramente definidos pelos clubes. Há ainda discussões para que essa distribuição aumentasse o percentual distribuído de maneira igual no futuro. No entanto, ainda não há consenso nem se isso irá acontecer, nem quando a mudança poderia ser implantada.

Conceito

Para Bap, outros aspectos deveriam ser discutidos para a formação da liga e não o ataque à pretensa desigualdade na distribuição de receitas.

“Uma liga é importante no Brasil. Então, vamos dividir a discussão da liga em dois assuntos,  Um é toda a parte de governança, de organização do campeonato, de profissionalização de arbitragem, de Fair Play Financeiro”, defendeu.

Bap comentou que o Flamengo paga tudo em dia, mas que há muitos clubes inadimplentes. Segundo ele, há vários casos de falta de pagamento ao Rubro-Negro que estão pendentes na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão responsável por punir os clubes que dão calote.

“Quando se fala de liga, tem uma parte que é toda conceitual, de governança, de gestão, que eu entendo que o Flamengo vai estar e tem que estar junto com todos os demais clubes”, afirmou o dirigente.

Procurados para comentar o assunto e como andam as discussões entre os clubes em relação ao MOU, Libra e LFU não se pronunciaram.

Entre os dirigentes ouvidos pela Máquina do Esporte, ninguém quis falar publicamente, mas as declarações geraram algum incômodo. Apesar disso, os clubes reconhecem a necessidade de haver entendimento para que Flamengo, Corinthians e Palmeiras sejam signatários do documento.